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Edyr Augusto lança romance com trama policial

Parece que agora Edyr Augusto Proença encontrou a fórmula perfeita para sua literatura. “Pssica” é o quinto livro do escritor e jornalista. São 96 páginas de uma linguagem direta, como o que ditam os tempos de internet, mas sem deixar de ser envolvente e

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Parece que agora Edyr Augusto Proença encontrou a fórmula perfeita para sua literatura. “Pssica” é o quinto livro do escritor e jornalista. São 96 páginas de uma linguagem direta, como o que ditam os tempos de internet, mas sem deixar de ser envolvente e marcante. O título é uma das poucas coisas regionalistas – psica, na gíria paraense, significa azar, maldição. A trama, porém, retrata uma realidade que está nas páginas dos jornais de todo o país, não só aqui: rapto de mulheres, estupro, tráfico de drogas, prostituição infantil, corrupção e muitos outros problemas que vão além de Belém.

A crítica nacional aprovou o livro e até o classificou como um dos melhores romances policiais do Brasil. Destaque nos jornais “Folha de São Paulo” e “Estadão”, Edyr, que estreou na literatura em 1998 com a publicação de “Os Éguas”, mostra um pouco sobre esses sentimentos, sua trajetória na literatura, e os desafios de escrever no Pará, em entrevista exclusiva ao Você.

Seu mais novo livro soa como muito atual: rápido, dinâmico, com um bom ritmo, boa narrativa e um assunto interessante. Como você chegou a essa fórmula?

Exercito esse estilo desde o meu primeiro livro e venho aprimorando-o ao longo dos anos. Procurei temas candentes da nossa realidade e depois coloquei os personagens dentro do caldeirão.

E como você desenhou esse estilo?

É uma soma de minhas atividades como jornalista, radialista, publicitário e dramaturgo. Escrevo rápido, mantenho o ritmo, reduzo ao máximo as frases. Conto com a coleção de imagens que cada leitor tem e espero que ele complete as lacunas com sua intuição. É como se ele estivesse vendo televisão, com imagens velozes e ação, muita ação. Não há tempo para subjetividades.

A “Folha de São Paulo” e o “Estadão” elogiaram o livro. Na matéria do “Estadão” ele é classificado como um dos melhores romances policiais lançados no Brasil. Você vê sua obra desta forma?

É claro que gosto do que faço, me divirto muito quando escrevo. No período, sinto-me a pessoa mais feliz do mundo. Em livros passados, bati na trave e não houve a repercussão que esperava. Dessa vez, parece que todos estão gostando. Fiquei assustado com os elogios. Nervoso. É muito difícil romper a barreira nos grandes jornais. Moro longe, em uma terra onde não há incentivo para a literatura. Agora estão chovendo convites para eventos literários. Acho meu texto exato, sem gorduras, com ação e provocando o leitor a não largar o livro até o final.

Você fala que não há incentivo para a literatura aqui. É difícil romper essa barreira?

É muito difícil fazer literatura no Pará, um estado em que as autoridades do setor há mais de 20 anos tentam, espantosamente, eliminar qualquer vestígio de cultura local. Não há políticas culturais, seja do Estado, seja do município. Nossos livros não estão à venda nas grandes livrarias, onde estão em destaque somente best sellers de famosas editoras. Tive sorte. A Boitempo Editorial, de São Paulo, desde o primeiro romance me apoiou, me fez chegar a outros países e atualmente trabalha de maneira muito profissional na divulgação do “Pssica”. Mas não ficamos parados. Comandados por Salomão Larêdo, realizaremos a segunda FLiPa - Feira Literária do Pará, com o apoio da Fox e da Editora Empíreo. Além de reunirmos nossos trabalhos a preços baixos, relançamos livros importantes, fora de catálogo (“Belém, Belém”, de Alfredo Oliveira, por exemplo) e lançamos a primeira obra de um novo autor (Flávio Oliveira), escolhido entre os inscritos

Voltando ao livro, história é inspirada em fatos reais? Sabemos que essa realidade é recorrente no país.

Não é um livro de reportagem investigativa. É tudo ficção, mas o pano de fundo, sobre a ação dos ratos d’água e o tráfico de escravas brancas, é absolutamente real. Basta ler os cadernos de polícia nos jornais. Achei que esses assuntos provocariam a curiosidade das pessoas. É também um grito, já que as autoridades até agora não conseguiram acabar com isso.

O tema é muito atual: uma atitude machista de um namorado que solta imagens íntimas de sua companheira na internet. Acha que essa temática, e o machismo especificamente, precisa ser discutido?

É outro assunto recorrente na internet, YouTube, facebook e outros. Um colega comentou comigo que uma garota na vizinhança de seu bairro passara por isso e levou uma surra do pai. Achei ali a primeira cena do livro. O machismo ainda é uma realidade em nossa sociedade, em qualquer camada. Se todas as mulheres realmente denunciassem o assunto nas delegacias específicas, não haveria presídio para todos.

Foi muito comentada pela crítica a questão da velocidade da sua escrita. Ela sempre foi assim, veloz, ou está se adaptando aos tempos de internet?

Meu estilo é uma soma das minhas várias atividades, mas sim, eu penso na velocidade dos dias de hoje, no número de palavras do Twitter, Facebook, na capacidade de apreensão dos jovens pelos milhares de pixels e alternativas nos games. Quero colocar o leitor dentro da ação como se estivesse a dois metros de distância, escondido, mas com a mesma respiração dos personagens.

Muitos poderiam pensar que a literatura feita na Amazônia fosse falar de temas da região, mas você escolheu algo urbano e universal. Foi sempre assim?
Há excelentes escritores regionalistas, mas optei por cenário mais urbano, esta selva concreta fincada na selva amazônica. Sempre fui muito urbano, escrevo sobre o sentimento das pessoas atingidas por fatos terríveis, que as fazem sair da zona de conforto e reagir. Aos paraenses, mostro sua cidade, ruas, locais. Aos que estão fora, ofereço um novo cenário: Belém.

(Nathalia Petta/Diário do Pará)

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