Discussões sobre acessibilidade e mobilidade urbana transbordam para além de espaços políticos e tomam espaços sociais com maior frequência. A sociedade tem se dado conta de que a inclusão é um dos caminhos para a resolução de muitos problemas. E esse debate chega, enfim, aos espaços de arte, que também são para todos. A Casa das Artes recebe durante esta semana uma série de oficinas e mesas de debate que discutem qual é o acesso de pessoas com deficiência à produção de arte.
As ações fazem parte do projeto “Arte e Acessibilidade: Tudo a Ver”, e surgem da ideia de que a arte é uma ferramenta educativa e também pode incluir. O projeto vai ser incluído dentro do Plano de Estadual de Ações Integradas à Pessoa com Deficiência, o Existir, e também se baseia em decretos e leis que prezam pela inclusão de pessoas com deficiência em espaços de arte.
Uma das atividades realizadas foi a oficina “Caixa Mágica”, ministrada pelo fotógrafo Miguel Chikaoka, da Associação FotoAtiva. O objetivo é possibilitar a jovens surdos o desenvolvimento do olhar fotográfico, assim como utilizar processos de fotografia artesanal, como a câmera escura e o pinhole, para ensinar a “linguagem da luz”.
Para Miguel, nossa visão sobre deficiência e acessibilidade é distorcida. Na opinião do fotógrafo, todos somos deficientes quando não conseguimos acreditar na possibilidade de inclusão e perceber que esse processo de encontro é uma via de mão dupla. “Tudo o que se trabalha com o sensível, do sentir, que toca a emoção, é uma grande potência. E como você lida com isso? A gente fala muito de inclusão. Com os surdos, eu percebi o quanto somo deficientes, por não acreditar nessa possibilidade de inclusão. Eu me incluí no processo. Tem esses dois lados. Eles são capazes de desenvolver coisas que antes a gente não acreditava”, conta o fotógrafo sobre a experiência.
Além da FotoAtiva, a programação conta como convidado o projeto FotoLibras, de Pernambuco – que trabalha desenvolvendo ações de arte fotográfica para melhorar a autoestima e dar visibilidade à comunidade surda – e a Universidade do Estado do Pará.
Além dos espaços de debate, são realizadas as oficinas “Luz Silenciosa”, “LibrArte”, sobre a Linguagem Brasileira de Sinais, “Pincel de Luz” e “Tudo de Ensaio”, ministradas pelas fotógrafas Vládia Lima e Tatiana Silva, do FotoLibras.
O público ainda pode se inscrever para a oficina “LibrArte”, ofertada pelo curso de Letras da Universidade Federal do Pará, que vai ensinar os sinais básicos de Libras, a Língua Brasileira de Sinais. A aula acontecerá somente hoje, das 14h às 18h. As 40 vagas podem ser preenchidas com inscrições no horário do curso.
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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