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Mostra apresenta a beleza e auto-estima dos negros

A história do racismo no Brasil é longa. Parte dela a gente aprende na escola, nas aulas que contam como o nosso país “nasceu” ou foi “descoberto”. É fato, somos um país de muitas raças, miscigenado, e até hoje os brasileiros recepcionam visitantes estran

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A história do racismo no Brasil é longa. Parte dela a gente aprende na escola, nas aulas que contam como o nosso país “nasceu” ou foi “descoberto”. É fato, somos um país de muitas raças, miscigenado, e até hoje os brasileiros recepcionam visitantes estrangeiros de braços abertos. Mas a cor da pele ainda gera diferenças, falta de oportunidades, violência.

O racismo existe e a discussão sobre ele hoje aparece muito mais, seja na internet, ou outros espaços de discussão e na mídia. Mas o que será que impede a tolerância?

Toda pessoa que conhecia as fotógrafas paraenses Aíssa Mattos e Ana Carla Oliveira em São Paulo, quando elas moravam lá, perguntava: “de onde vocês são?”. Nenhuma delas acreditava que elas eram do Norte do Brasil, de Belém do Pará. “Foi esse processo de invisibilidade que a gente tem do povo preto no Pará. As pessoas acham que o estereótipo do paraense é o índio”, declara Aíssa Mattos, sobre o motivo da criação do projeto ParÁFRICA, uma mostra de fotografia da população negra paraense - segundo a Pesquisa Nacional por Amostras em Domicílio, do IBGE, mais de 70% da população paraense.

O objetivo é mostrar toda a beleza de ser negro e fazer com que o preconceito e a desigualdade deixem de provocar vergonha e a insegurança dessas pessoas. “A gente comçou a expor as fotografias em quilombos e escolas da periferia, onde tem muita gente negra. A gente acaba participando um pouco desse processo de autoconhecimento”, explica Aíssa.

“O processo de conhecimento é pelo empoderamento, por se enxergar mesmo, por toda uma questão cultural e de identidade. Não é a questão do tom da pele, mas por todo o processo de resistência e escravidão. Hoje até tem uma figura ou duas numa novela que sejam negras. Mas na propaganda, a mulher negra não se sente representada. Na escola, você não tem um professor representativo, e tem crianças que não querem ser negras e se tornam adultos que não querem ser. Não tem uma definição do ser negro, é de se sentir, se reconhecer, toda a cultura e ancestralidade que nós temos, que não vem só do Brasil, mas de todo um processo de escravidão”, analisa Aíssa.

E ela completa: “As pessoas têm cabelos diferentes e as fotos mostram isso. A gente tenta levar toda essa diversidade que nós negros temos. Nós todos podemos nos achar bonitos e a gente não precisa se encaixar. Queremos direitos iguais, mas não precisa ser da mesma forma.”

Para o professor de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará e integrante do Candomblé Angola Matriz Banto Raiz do Bate Folha, aqui de Belém, Arthur Leandro, é a história que explica como essa intolerância, que também tem reflexos religiosos, começou no Brasil. “Os negros, quando chegaram ao Brasil, foram coisificados, tiraram a humanidade deles. Tudo que vinha de negro era ruim, e você negar ao outro o direito à humanidade, o nome disso é racismo”, diz o professor, membro do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura, que atenta que menos de 2% da receita nacional para a cultura é destinada atividades afro-brasileiras.

Para quem milita na causa,, é preciso responder a isso com educação, ajudando a formar gerações mais conscientes de sua identidade e seus direitos. “As crianças negras têm que ser educadas a se verem como negras, a respeitarem as religiões. As pessoas de religiões de matrizes africanas têm que ser respeitadas. Entender o porquê das cotas, dessa relação de espaço que precisamos ter e saber que elas precisam ser vistas. Ainda acham que o espaço do negro é na cozinha, é para servir. E hoje o negro pode ocupar qualquer espaço. Se todas as políticas afirmativas saírem do papel, tem espaço para todo mundo”, acredita Aíssa Mattos.

SERVIÇO

Exposição ParÁFRICA

Quando: até 3 de outubro, com visitações às quartas e sextas, de 14h às 18h.

Onde: Casulo Cultural (Rua Frutuoso Guimarães, esquina com Riachuelo – Campina)

Quanto: a entrada é grátis

(Diário do Pará)

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