O movimento em prol de mais investimentos para o carimbó organiza hoje um ato público no Ver-o-Peso e no Centur, em alusão ao aniversário de um ano de reconhecimento do ritmo paraense como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, dado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Diversos grupos e mestres participam, com uma programação cultural e política, pedindo que o Iphan conclua o processo de reconhecimento com a cerimônia oficial de titulação, garantindo ao carimbó ações de salvaguarda necessárias para a continuidade e fortalecimento do bem.
A programação desta sexta começa com uma alvorada de carimbó no meio do mercado do Ver-o-Peso, às 6h. Depois das 10h, os grupos se instalam no Centur, onde fazem apresentações e leem o manifesto com as pautas pedidas pelos produtores, artistas, mestres de cultura. “O registro foi feito ano passado, mas o título ainda não foi entregue aos mestres, não houve o ato. A gente esperava que o reconhecimento pudesse nos proporcionar uma mudança, para tirar o movimento da marginalização e da invisibilidade que o carimbó tradicional e do interior vem sofrendo durante 200 anos”, declara Isaac Loureiro, um dos organizadores do ato.
Ele explica que o evento, além de marcar a data, tem o objetivo de “quebrar a barreira, esse muro que exclui essa manifestação tão importante das políticas públicas e nos exclui do acesso às condições para fazer o carimbó”.
São esperados em Belém mestras e mestres de carimbó de vários municípios para fazer pressão ao Iphan. “Até 2014, a gente lutava pelo registro como patrimônio. Agora a gente está lutando pelas ações de salvaguarda para garantir esse patrimônio. O governo paraense já reconheceu a manifestação como patrimônio do Estado desde 2009, mas nunca tivemos nenhuma política específica para o carimbó. Nos municípios também, onde a situação é mais precária, por falta de estrutura. As pessoas ficam ali à mercê de uma relação de apadrinhamento, de uma humilhação política”, reclama Isaac.
Mas ele também admite que o reconhecimento do Iphan trouxe à tona a importância da organização dos grupos. “Agora como patrimônio, a gente conseguiu alguns avanços. Um deles é essa compreensão do próprio carimbó, da importância da organização coletiva para conquistar direitos que só o registro como patrimônio não dá. Ele abre uma porta para a valorização, pra cobrar a cidadania cultural. Há uma responsabilidade por parte dos governos, que é de dar suporte ao carimbó como bem cultural para que os grupos possam sobreviver com as próprias pernas”, finaliza.
APOIE
“Carimbó do Meu Brasil - Ato Comemorativo pelo 1º ano do Registro do Carimbó Como Patrimônio Cultural Brasileiro”
Quando: hoje, a partir das 6h
Onde: Ver-O-Peso (até as 10h)
e Centur (Gentil com Rui Barbosa), a partir das 10h
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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