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Ritmo não é isolado, nem novo, mas é tecnológico

Ao mergulhar neste universo tecnobrega, Lydia Barros percebeu que não se tratava de um fenômeno isolado nem exatamente novo, mas de um processo irremediavelmente relacionado à tecnologia, às ferramentas e canais disponibilizados pela internet e à saturaçã

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Ao mergulhar neste universo tecnobrega, Lydia Barros percebeu que não se tratava de um fenômeno isolado nem exatamente novo, mas de um processo irremediavelmente relacionado à tecnologia, às ferramentas e canais disponibilizados pela internet e à saturação dos mercados “mainstream”, com abertura de novos nichos de consumo.

“Ficou clara a existência de uma cena brega em Belém que antecede o tecnobrega. Não por acaso o tecnobrega nasceu aí, com todas as suas especificidades. Agora, acredito que a grande e mais relevante mudança aconteceu quando os arranjos dessa música passaram a ser 100% eletrônicos. E depois, claro, quando a pirataria entrou em cena”, argumenta.

“Acho que é um livro importante para quem pesquisa música no Brasil de uma maneira geral e o fenômeno do brega e tecnobrega, especificamente. Há um esforço de revisão da literatura desse campo de estudo que considero interessante, e há ainda novas abordagens para fenômenos que estamos assistindo, mas que ainda não compreendemos bem, com a assimilação das culturas periféricas pelas elites. São questões atuais e extremamente interessantes. Por isso, o livro também pode ser bacana para quem gosta de cultura e é curioso”, diz a autora, admitindo que o ritmo pesquisado a remete à infância.

“Tinha essa coisa da memória afetiva da música brega, aquela trilha sonora da minha infância, das festas de rua, essas coisas. E aí comecei a reparar no tecnobrega, nas matérias que falavam do ‘fenônemo’, dos comentários de amigos que iam a Belém e conheciam as festas de aparelhagem. Minha curiosidade foi aumentando. Pessoalmente não é a música que eu gosto de ouvir no carro dirigindo ou mesmo em casa, com amigos. No entanto, acho muito legal o tecnobrega se o programa for dançar, e isso pode ser em qualquer lugar, principalmente em uma festa de aparelhagem”, brinca.

(Nathalia Petta/Diário do Pará)

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