Matérias recentes dos jornais Folha de S. Paulo e Estadão citam o livro “Pssica” como um dos melhores romances do ano. Falam de seu autor como alguém pouco conhecido no país, mas que já teve obras traduzidas na Inglaterra, Peru e México. Na França, nem se fala. Elogiado pela crítica, foi apontado como um dos autores de literatura policial mais importantes de 2013 e 2014 pelos veículos especializados. E recebeu, este ano, o prêmio Caméléon de melhor romance estrangeiro, na Université Jean Moulin Lyon, fato noticiado com destaque no Caderno Você. Nesta sexta-feira, 25, é destaque em São Paulo, durante a programação da Pauliceia Literária, em que discute ficção policial com o cubano Leonardo Padura. Mas quem é ele?
Essa é uma pergunta que Edyr Augusto gostaria de não ter que ouvir em sua própria terra natal. Mas o escritor desabafou em sua coluna no DIÁRIO sobre o que diversos escritores paraenses sentem e passam – o reconhecimento lá fora, a invisibilidade aqui dentro. E não é que ninguém saiba quem é Edyr Augusto. Ou Salomão Larêdo. O nome se sabe. Que são escritores, também. Mas quem os leu? Quem os reconheceria passeando pela Avenida Nazaré, ou tomando uma cerveja no Bar do Parque? Alguém já viu um livro deles sendo destaque em uma livraria de shopping?
“O problema é que não há mercado. Há 20 anos Belém vem sofrendo a destruição da arte e de suas precárias estruturas. O governo deveria agir para criar esse mercado. Os autores deveriam circular o estado todo. Deveriam ser relançadas obras que não podiam estar fora das livrarias, como as de Haroldo Maranhão, Dalcídio. Precisava ter uma feira que mostrasse as produções atuais”, idealiza Edyr, bem longe da realidade na qual escritores locais ocupam apenas um estande na Feira Pan-Amazônica do Livro e, se querem publicar livros, precisam fazê-lo por conta própria.
“No lançamento vão a família, amigos, que compram para prestar apoio, e você fica com 500 livros em casa, que ninguém vai ler. Entra na Saraiva e vê aquela profusão de lançamentos estrangeiros, nacionais, livros de colorir, auto-ajuda e não encontra literatura paraense”, completa Edyr.
A sorte dele está no fato de ter uma editora, a Boitempo (da paraense Ivana Jinkings), que o lança nacionalmente. Mas isso não fez com que Edyr saísse do desconhecimento da maioria da população. “Aqui sou tão invisível quanto qualquer outro colega autor”.
Salomão Larêdo, cujo recém-lançado “Olho de Boto” é seu 40º livro publicado, já recebeu prêmios por todo o país, incluindo o Monteiro Lobato da União Brasileira de Escritores, pelo livro “Sarrabulho”. Para ele, ter o apoio de uma editora nacional, a Empíreo, também é considerada uma sorte. “Nunca tive problemas em colocar meu livro em nenhum lugar, mas esses lugares são cada vez menos. Na (livraria) Fox, ainda encontramos esse espaço aberto. Na Saraiva e outras, não criam dificuldade ao autor, mas sim no sentido de cobrar uma alta taxa do livreiro. Normalmente, os paraenses são autores independentes, sem uma editora, assim, a distribuição e exposição do livro são escassos, e isso realmente é um entrave”, comenta.
FliPA abre caminhos de articulação.
(Diário do Pará)
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