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Renato Torres debate arte poética em bate-papo

É algo recorrente na vida de um artista que ele acabe se dedicando a mais de uma forma de arte. É o caso de Renato Torres. O músico acaba de lançar com sua banda, a Clepsidra, seu terceiro álbum, “Independente”. Formada em 2001, a banda surgiu da parceria

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É algo recorrente na vida de um artista que ele acabe se dedicando a mais de uma forma de arte. É o caso de Renato Torres. O músico acaba de lançar com sua banda, a Clepsidra, seu terceiro álbum, “Independente”. Formada em 2001, a banda surgiu da parceria com o baixista Maurício Panzera como meio para experimentar sonoridades e hoje também conta com o baterista Arthur Kunz. Mas todas as bandas das quais Renato participou também serviram para dar vazão à sua veia poética.

O artista é o convidado de hoje no projeto Roda Palavra, da Casa das Artes (antigo IAP), onde dividirá com o público esse convívio com a escrita “que vai do poema à música e se dá com naturalidade desde a adolescência, sem necessidade de rituais de preparação ou uma produção com prazos”.

Essa paixão pela criação de versos, ele conta, foi uma descoberta da adolescência, lá pelos 13 ou 14 anos. “O processo da poesia é anterior a tudo o que faço hoje, da música ao teatro. Anterior a ela, apenas o desenho. Nessa época eu escrevia muito e acredito que a poesia e a música são linguagens muito próximas, o que tornou algo muito natural para mim ser compositor”, diz Renato, que ano passado também teve a oportunidade de lançar seu primeiro livro de poesias, o “Perifeérico”, pela editora Verve.

Em ambos os projetos, poesia e música se mesclam. Em “Independente” é próprio Renato quem admite: a maioria das 12 faixas do CD nasceu como poema que só depois foi musicado. E mesmo quando a faixa não é assinada pelo músico, não deixa de ser poesia. É o caso de “Voragem”, canção feita a partir de um poema de Larissa Medeiros e interpretada por Aíla num show de 2009.

Já no livro “Perifeérico”, quem notou essa íntima relação entre som e verso foi a escritora e jornalista carioca Ângela Menezes. Durante uma visita a Belém, ela conheceu o músico, que compartilhou com ela alguns poemas, e após ver nele um grande talento para a escrita, o ajudou a publicar o livro, com lançamento nacional no Rio de Janeiro. Em sua crítica à poesia do paraense, escreveu: “Encontrei em seus textos bailarinos a mesma surpreendente força delicada de sua música. Renato Torres escreve como quem canta, como quem lambe a delicada lâmina afiada sobre o doce dorso da língua. Entrega total: sem pudor e sem limites. Beleza pura”.

O livro, por vir apenas aos seus 42 anos de idade, acabou sendo um grande apanhado de sua produção poética, desde a sua adolescência, distribuída em oito capítulos ou ambientes temáticos: a memória, a palavra, o ser, o amor, a dor, o inefável, a cidade e o futuro. “Evoca um lugar onde a poesia – e o próprio poeta – habita, à margem e, a um só tempo, no cerne da vida profunda, mítica, arquetípica, muito além da experiência fugaz da realidade cotidiana”, descreve Ângela.

Para o poeta e músico, a demora em publicar acabou também contribuindo para que ele entendesse melhor seu próprio processo criativo e encontrasse sua identidade como escritor. “A poesia, talvez por me acompanhar a tanto tempo, se dá de maneira muito natural na minha vida. Sei que existem poetas que possuem todo um ritual para a escrita, mas estou mais ligado a essa poesia que acontece quando há espaço para ela, seja no ônibus ou em casa”.

Ele completa: “Entendi que a poesia se constrói enquanto não estou escrevendo, são as sensações, experiências, trocas. A escrita é apenas a materialização dessa poesia”. Por tudo o que aprendeu dessa intimidade com a escrita, Renato se diz feliz com o livro. “Era meu sonho desde os 17 anos, mas quando você lê minha poesia produzida aos 17, percebe que ela não tinha voz própria, era muito decalcada do que eu lia. Acho que essa necessidade de encontrar a própria voz é importante para qualquer autor antes de chegar a um livro”, diz ele.

LETRA E MÚSICA

Projeto “Roda Palavra” apresenta Renato Torres
Quando: Hoje, às 19h
Onde: Sala de Dança da Casa das Artes (Praça Justo Chermont, 236, Nazaré)
Quanto: Entrada franca
Informações: (91) 4006-2900

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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