Oswaldo Montenegro é um artista de muitas facetas. Além de competente músico, ele também mostra enorme talento como diretor de cinema, de musicais, autor de livros e roteiros. Em Belém nesta sexta-feira, onde se apresenta às 20h, no Theatro da Paz, em um show para convidados, dentro das comemorações dos 73 anos do Banco da Amazônia, Oswaldo falou em entrevista exclusiva ao Você que tem cada vez mais se dedicado ao cinema, mas que a música continua sendo sua força motriz.
No cinema, seu primeiro longa-metragem, “Léo e Bia”, lançado em 2010, foi consagrado pela crítica e recebeu prêmios de melhor trilha sonora, composta por ele, e de melhor atriz, para Paloma Duarte, no Festival de Cinema de Pernambuco. Em 2013, ele lançou o segundo e também elogiado longa, “Solidões”. E a boa repercussão dos trabalhos o faz continuar na trilha da carreira em tela grande. “Estou em fase de pré-produção de dois filmes, ‘O Perfume da Memória’, que começo a rodar em outubro, e ‘Mayã, uma Ideia de Paz’. Ambos serão lançados em 2016. Do primeiro, estou lançando toda semana, no meu canal do Youtube, a trilha sonora criada especialmente para o filme. É só entrar lá em conferir”, convida Oswaldo.
Além do cinema, teatro, televisão e até balés já ganharam trilha sonora do músico. Para o teatro, destacam-se “Brincando em Cima Daquilo” (1984), de Dario Fo, com Marília Pêra, e “Luxúria, Soberba e Ira” (1998), com Isabela Garcia e direção de Wilson Solon. Nos balés, além das trilhas, também foi roteirista, como em “A Dança dos Signos” (1983) e “Telas” (1996), do Grupo de Dança do Núcleo Artístico de BH, este último premiado em diversos festivais de dança.
Mas, ainda que bem sucedido em tantos formatos artísticos, ele define-se “acima de tudo” como um músico, “apaixonado pelas outras artes, mas um músico”.
“Não tenho dúvida de que essa é minha prioridade, a minha casa”, diz ele. O que muda a cada trabalho, explica, é o conteúdo, com base na finalidade de cada composição. “Normalmente componho música e letra simultaneamente, mas tenho eventuais parceiros. Costumo compor em casa, sobre o que vi, sobre o que aconteceu comigo, sobre o que me contaram ou sobre o que imaginei”. O que só muda com as trilhas: “Nessas, escrevo sobre o que não sou, mas como seria se fosse”.
(Divulgação)
Encontros e muitas parcerias
Além de cantar suas composições, Oswaldo já teve músicas gravadas por grandes nomes como Ney Matogrosso, Gonzaguinha, Zé Ramalho, Alceu Valença e Sandra de Sá. Na efervescente cena paraense, ele ainda não encontrou parceiros por falta de oportunidade, mas lembra: “Apenas uma vez cantei junto com Liah Soares minha música ‘A Lista’, em um show dela. Foi muito legal”, diz ele.
Com uma longa jornada na música brasileira, Oswaldo faz uma avaliação genérica, porém positiva da cena musical do país e seus grandes nomes, em que ele tem seu próprio lugar. “A música brasileira é muito rica. O mercado por vezes espelha um pouco mais deste ou daquele estilo, mas o verdadeiro juiz é o tempo. Não tenho uma postura de julgamento sobre as coisas que estão rolando. No final das contas, cada um curte o que quiser e o que dura só se percebe quando o filtro dos anos exerce sua força”, avalia.
E como alguém que nunca tocou no Theatro do Paz, o músico pretende trazer o show “Canção Nua” com um formato que privilegia a informalidade. “Mais do que uma apresentação, é um encontro. Conto algumas histórias, atendo a pedidos do público e o roteiro é o que dá na cabeça, mas algumas canções eu sei que não podem faltar”, afirma, referindo-se a “Lua e Flor”, “A Lista”, “Bandolins”, “Metade”, “Estrelas”, “Estrada Nova” e “Intuição”.
No repertório, Oswaldo ainda inclui “A Lógica da Criação”, música que faz parte da trilha de seu filme mais recente, “Solidões”, e “A Porta da Alegria”, música tema de sua nova turnê, cujo clipe oficial também está disponível em seu canal no YouTube, espaço que o cantor parece não dispensar mais na hora de colocar tantos projetos mais perto do público.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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