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Auto do Círio agora em livro

O colorido das alegorias, o grande corpo do elenco e o caráter especial do Auto do Círio atrai, há mais de 20 anos, belenenses e turistas no período do Círio de Nazaré, no segundo fim de semana de outubro, religiosamente. A noite da sexta-feira que antece

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O colorido das alegorias, o grande corpo do elenco e o caráter especial do Auto do Círio atrai, há mais de 20 anos, belenenses e turistas no período do Círio de Nazaré, no segundo fim de semana de outubro, religiosamente. A noite da sexta-feira que antecede a procissão é marcada por um cortejo teatral que conta a história no Círio e percorre as ruas da Cidade Velha com fé, emoção e arte. Paralelo às atividades da igreja católica, o auto faz parte das festividades do período tombadas como bem cultural imaterial atrelado ao Círio.

VEJA A ENTREVISTA COM MIGUEL SANTA BRÍGIDA

Hoje, toda essa riqueza ganha mais corpo, com o livro “O Auto do Círio – Drama, Fé e Carnaval em Belém do Pará”, pesquisa desenvolvida pelo professor pós-doutor Miguel Santa Brígida, desenvolvida em 2003 no mestrado da Universidade Federal da Bahia, com orientação do escritor e pesquisador da cultura paraense João de Jesus Paes Loureiro.

Nesta sexta-feira, uma semana antes do espetáculo, Santa Brígida apresenta o trabalho à comunidade acadêmica e à sociedade. O livro é lançamento da Editora do Programa de Pós-Graduação em Artes da UFPA, abrindo a série sobre os 50 anos da Escola de Teatro e Dança da universidade, a Etdufpa. Nele, Miguel - que foi um dos primeiros diretos do auto e por vários anos esteve à frente da organização do cortejo - investiga o Auto do Círio como um espetáculo cênico dentro do teatro contemporâneo na Amazônia, estudando as matrizes dramáticas, religiosas e carnavalescas do cortejo. O estudo tem prefácio assinado por Paes Loureiro e apresentação da professora Zélia Amador de Jesus, uma das criadoras do espetáculo ao ar livre, em 1993.

O auto surgiu de uma conversa entre o reitor da UFPA na época, Mário Ximenes, a então vice-reitora Zélia Amador e a professora Margaret Refkalefsky, que era diretora do Núcleo de Artes, hoje Instituto de Ciências da Arte da UFPA. O espetáculo teria os moldes da Paixão de Cristo, de Nova Jerusalém, aliado à tradição dos cortejos de rua de Belém, com o objetivo de agregar religiosidade, tradição e unir os paraenses.

Hoje, com cerca de 500 atores participantes e agregando mais de 40 mil espectadores nas ruas da Cidade Velha, o espetáculo tem características de carnaval, sem perder o tom das manifestações de fé da procissão do Círio.

(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)

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