Não basta fazer música. Para algumas bandas paraenses, há de se ter um propósito a se dedicar. Em uma cidade onde a cena cultural ferve, com bons músicos e projetos por toda a parte, uma gatinha de rua conseguiu mobilizar bandas importantes da cena rock autoral paraense. Neste sábado e na próxima quarta-feira (7), cinco projetos resolveram se doar ao “Save The Cat”, com shows que visam arrecadar fundos para om animal que foi encontrado muito ferido nas ruas da Marambaia.
O primeiro evento acontece hoje, às 16h, com o indie pop de Cheese Project, o rock alternativo de Dois Na Janela e o folk rock de Lívia Mendes, às 16h. Na quarta-feira, o rock fica pesado com o som de Molho Negro e Navalha, às 21h, ambos no Old School Rock Bar.
“Para o Navalha, a importância de participar desse evento é mostrar que é possível mobilizar pessoas pelo cuidado também dos animais. Nunca participamos de um evento desse tipo, mas gostamos logo de cara da proposta. A gente anda numa pegada meio ativista nas novas músicas da banda, abordando questões sobre os direitos humanos, e é importante ver que também precisamos nos preocupar e muito com outros seres vivos”, explica Eric Alvarenga, vocalista do Navalha.
Para eles, esse envolvimento social é superimportante, já que a banda tem a proposta de fazer músicas para provocar a reflexão sobre as práticas cruéis da sociedade - e os maus-tratos com animais não deixam de fazer parte delas.
“Temos nos empenhado em fazer as pessoas refletirem com as nossas músicas sobre algumas práticas terríveis que acontecem atualmente, como por exemplo o chamado pornô vingativo. Esses videos causam muito sofrimento, principalmente na mulher, pois a gente vive num mundo extremamente machista e moralista. Outras músicas também fazem crítica à prática de fazer justiça com as próprias mãos e também à falência da política prisional brasileira”, completa Eric.
Lívia Mendes e Raphael Guimarães, do Cheese Project, acreditam que o momento é de união e de amor entre os artistas e acham importante a sociedade atentar para o respeito aos animais.
“É muito especial participar de um show com essa causa tão bonita. Acredito que a gatinha da Marambaia seja um símbolo que representa uma luta muito maior, contra os maus-tratos aos animais e em prol do carinho e da solidariedade. Ajudar com dinheiro, amor, música e energia é o que vamos fazer no show desse sábado”, disse a cantora.
“A iniciativa é importante não só pelo caso dessa gatinha, mas para abrir os olhos de todos sobre a maldade humana com os animais. Espero que esse projeto seja um pontapé para que outros surjam para unir confraternização e boas ações em um mesmo evento. A música pode unir pessoas legais em prol de causas legais”, acredita Raphael.
Toda a renda dos shows será revertida para o tratamento de uma gatinha siamesa que teve uma pata amputada, em consequências dos ferimentos com que foi encontrada após ser abandonada nas ruas. Ela foi encontrada em estado muito crítico em uma calçada do bairro da Marambaia, no último domingo, pela jornalista e cantora Nathalia Petta e pelo músico Augusto Oliveira. Desde então, protetores de animais se movimentam em uma campanha nas redes sociais para arrecadar fundos para custear o tratamento dela.
“Amigos ajudaram fazendo doações financeiras, que possibilitaram custear a cirurgia e os primeiros atendimentos, mas ainda há um custo muito alto das diárias de internação, medicamentos e alimentação”, explica Augusto Oliveira.
(Diário do Pará)
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