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Exposição mostra a prática de esportes em rios

AAmazônia é agraciada com a proeza natural de ser banhada por águas salgadas e doces, e aqui fenômenos acontecem de forma única no planeta, como é o caso da pororoca (o encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas, que provoca ondas com grandes

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AAmazônia é agraciada com a proeza natural de ser banhada por águas salgadas e doces, e aqui fenômenos acontecem de forma única no planeta, como é o caso da pororoca (o encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas, que provoca ondas com grandes extensões e durações) ou da prática de surf em praias de rio, como em Mosqueiro. Uma exposição de fotografias e vídeos, organizada pela Associação Brasileira de Surf na Pororoca (Abraspo), apresenta a prática desse esporte em água doce em diferentes partes do mundo, inclusive em municípios onde o fenômeno da pororoca está extinto, como em São Domingos do Capim.

A exposição será aberta nesta quarta-feira a partir de 19h, no Museu de Arte de Belém (Mabe), no Palácio Antônio Lemos. Nela, os fotógrafos paraenses Denis Sarmanho, Jeremy Dias e Jader Paes (do DIÁRIO DO PARÁ), participam ao lado do carioca Rick Werneck. Documentando os campeonatos de surf e kitesurf nas praias de Mosqueiro desde 2005, o fotógrafo Jader Paes conta que primeiro pegou onda na prancha, para depois começar a fotografar o esporte.

“Cheguei em Mosqueiro para fotografar sem ninguém me contratar e depois mostrei o material, porque eu também surfava. A pessoa que surfa sabe a hora certa de fotografar”, relembra Jader.

Ele sempre teve vontade de fazer uma exposição sobre o surf em Mosqueiro, por ter as únicas praias de água doce com ondas do mundo, mas não conseguiu apoio. A vontade chegou aos ouvidos de Alex Cavalcante, à frente do Campeonato de Surf da Pororoca, que organizou a exposição e ainda estendeu o convite para outros fotógrafos que trabalham com o tema.

As fotos e vídeos são registros de eventos realizados pela Federação Paraense de Surf (Fepasurf) e pela Associação Brasileira de Surf na Pororoca (Abraspo), que tem como presidente Noélio Sobrinho. “O Pará tem um potencial incomensurável, temos as melhores ondas ‘doces’ do mundo, sejam as de Mosqueiro ou as de pororocas, temos dezenas de ‘surfspots’ (locais propícios para a prática do surf) com qualidade internacional bem aqui pertinho de nós. Resta a gente trazer para o povo todo esse potencial, ajudando a desenvolver lugares e as pessoas que neles vivem”, explica o presidente da Abraspo.

Para Noélio, os registros precisam ser mostrados não só para preservar a história desse esporte, mas também para mostrar como o surf pode levar desenvolvimento para as cidades do interior por onde as ondas passam .“Temos que deixar este legado para as gerações futuras, para que vejam como eram os primeiros eventos, como eram as cidades e a relação dos ribeirinhos antes e depois destas incursões dos surfistas”, defende.

Em Mosqueiro, as ondas podem chegar a até 1,7 m de altura, mas apenas durante três ou quatro meses do ano, o que faz com que o registro seja mais valioso ainda. O surf na ilha começou no início da década de 1980, quando alguns surfistas perceberam que, em certas épocas do ano, as águas se transformavam com a ação dos ventos e das marés. Hoje são praticados por lá o surf, kitesurf, bodyboard, stand up paddle e outros esportes radicais ambientados em rios, em cenários que sempre rendem belas imagens. “Se eu pudesse, eu seria fotógrafo só de surf. Essa é minha praia”, brinca Jader Paes.

(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)

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