Organizada pela internet, a Batucada da Praça da República e do Mercado de São Brás movimenta centenas de pessoas ao redor dos tambores cheios de reverências às origens de religiões afro-brasileiras e da música negra. Música livre, aberta e gratuita, sem palcos, pertinho do público, que pode contribuir com R$ 2 para os músicos. É desse cenário que surge o Zimba Groove, quarteto formado pelos músicos Jefferson Moraes (voz), Wendell Raiol (violão), Ney Trindade (baixista, que integra à banda sua experiência no circuito regueiro de Belém) e Douglas Dias (percussionista), que participa de grupos de música regional e afro na capital do estado.
Essa mistura provoca o que a banda chama de “música de preto”, contemplando afoxé, ijexá, samba de roda, carimbó, soul music, black music, samba rock e mais. “As nossas músicas exaltam a mulher negra empoderada, falam do povo preto, da ocupação das ruas, do que o povo preto sofre na periferia. Na verdade os temas surgem das nossas vivências. A gente compõe a partir do que vive e vê. Eu acho que a musicalidade e a banda são para o empoderamento do povo preto”, explica o vocalista Jefferson Moraes.
O grupo foi criado este ano, fazendo algumas apresentações pontuais, mas logo decidiram produzir material autoral, que vão mostrar pela primeira vez nesta terça-feira, no Espaço Cultural Boiúna, em Batista Campos.
O nome “Zimba Groove” faz referência à uma brincadeira de roda que os mestres de carimbó de Santarém Novo, no interior do Pará, chamam de “Zimba”, e que também foi usado por artista e designer amigo da banda, Mael, num trabalho de iconografia do carimbó.
Jefferson diz que apesar da criação da banda e da expectativa de apresentações em diferentes espaços, eles não planejam deixar de tocar nas ruas, ocupando os espaços públicos da cidade. “A ocupação urbana é fundamental, a cidade é carente disso. Tu encontras samba, mas samba de roda e roda de carimbó não encontra. Eu acho que as pessoas estavam sedentas disso. E o protagonismo é do artista. Esses artistas estão fora dos ciclos dos editais, ao lado dos poderosos, para ocupar teatros, mas estão fazendo. Existem bandas que não tocam nas rádios, mas tocam nos batuques. É uma onda underground”, complementa.
O trabalho de valorização desses ritmos continua. Ao lado da criação, está a referência à história do povo preto e de sua cultura, que ainda persiste em cantos isolados e praças. Para conferir, se identificar e beber dessa cultura, basta acompanhar o trabalho da Zimba Groove, que já chega empoderada.
SERVIÇO
Pré-lançamento da banda Zimba Groove
Quando: Hoje, a partir de 19h
Onde: Espaço Cultural Boiúna Bar (Rua dos Pariquis, 1556 - Batista Campos)
Quanto: couvert a R$ 5
Informações: 983666494
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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