Não poderíamos viver sem ela. E é por isso que as Nações Unidas proclamaram o ano de 2015 como o Ano Internacional da Luz. Por uma singela coincidência, o tradicional Auto do Círio, sempre realizado na sexta-feira que antecede a grande procissão do Círio de Nazaré, tem este ano como seu coordenador geral e diretor cênico, respectivamente, Tarik Coelho e Jorge Torres, experientes em iluminação cênica, e a bailarina Danielly Vasconcellos, que aos sete meses de gestação se prepara para “dar à luz” Maria Eduarda. Esse encontro de luzes arquitetado pelo universo, ou quem sabe pela própria Nazica, não podia dar em outra coisa senão no tema deste ano para o Auto: “Nossa Senhora, Quanta Luz!”.
O cortejo dramático, que já começa a ganhar a dimensão de uma verdadeira procissão – foi contabilizado pela Polícia Militar um público de cerca de 40 mil espectadores em 2014 –, chega a sua 21ª edição mantendo seu trajeto com saída da Praça do Carmo, passando pela Igreja da Sé e encerrando na Praça Dom Pedro II, entre os Palácios Lauro Sodré e Antônio Lemos. Além da parada em frente ao Instituto Histórico e Geográfico do Pará, para a coroação de Maria, também são mantidas as pequenas encenações a partir das varandas de moradores da Cidade Velha. Para auxiliar a circulação, há pequenas paradas sinalizadas por bandeirinhas ao longo do percurso.
Dando brilho a essas pequenas pausas, o cortejo recebe as vozes três cantoras paraenses: Cacau Novais, Alba Maria e Drika. A bateria da escola de samba Quem São Eles e a banda Quero Mais também participam do início ao fim do espetáculo ao ar livre. Ligados ao elenco cênico, o Auto tem como convidados especiais os bailarinos da Cia. Moderno de Dança, o coral Elegbara e o grupo de teatro Paixão de Cristo de Canudos. A grande atração de encerramento é a banda Warilou, cantando seus grandes sucessos.
Também entre os destaques deste ano está a participação no elenco do professor Beto Benone, diretor do espetáculo entre 2010 e 2012. “Eu diria que me surpreendi com um elenco formado em mais da metade por pessoas que estão pela primeira vez participando do Auto. E há a variedade de sempre, com pessoas dos 18 aos 60 anos. São cerca de 400 pessoas, entre elenco, convidados, bateria, todos atuando de forma colaborativa”, afirma Jorge Torres, responsável pela preparação e ensaios que ocorrem desde o mês de setembro.
“Depois de dez anos participando, ajudando a realizar o Auto, pela primeira assumo a coordenação e tem sido uma experiência maravilhosa. Deu um trabalhão, mas é gratificante. A nossa grande dificuldade deste ano foi a greve na Universidade Federal do Pará, mas não queríamos deixar a comunidade desamparada, então decidimos fazer, sim, o Auto. Agora, minha grande expectativa é pela Coroação de Maria. É sempre o momento que mais me emociona”, declara Tarik Coelho.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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