Padre Geffison Silva, 32 anos, tem uma maneira diferente de evangelizar. “Quando celebro a missa e não canto, alguém sempre pergunta por que não cantei”, diz ele. Isso porque, além de ser ordenado Padre, também é cantor, conhecido por celebrar missas cantadas na Basílica Santuário de Nazaré, além de manter o programa Conexão Jovem, onde veicula músicas religiosas, com transmissão pela radioweb da Basílica. Em um universo tão segmentado como este, há vários padres cantores que conseguiram, com o microfone à mão, popularizar seus sermões, mas entre os paraenses ele é o primeiro a realmente se destacar desta forma, em especial entre o público infanto-juvenil.
Os dois dias em que celebra missa são especialmente frequentados por adolescentes. “Uma vez que você faz algo diferenciado, com música, animação, coisas que os jovens gostam, isso os aproxima muito – seja da Adoração (realizada as quartas-feiras) ou da Santa Missa (aos domingos)”, afirma Geffison, que escolheu sua vocação de forma despretensiosa, mas acabou se mostrando muito hábil, utilizando a música para realizar seu principal sonho, que era ser missionário. “Independente do meu futuro, esse era meu maior objetivo”, enfatiza.
Padre Geffison espera um dia evangelizar através de um programa de rádio. (Divulgação)
SONHO ANTIGO
Para um padre cantor, ter um programa de rádio no qual pudesse falar de música, conversar com os ouvientes e atender os pedidos musicais era sonho antigo. “O ‘Conexão Jovem’ é algo que já vínhamos pensando e conseguimos concretizar a partir do trabalho da Adoração e da Missa. É uma oportunidade que tenho de entrar em contato com o público. São pessoas que escutam as músicas, interagem. Ele é bem musical e acredito que os ouvintes se identificam porque transmite Deus”, diz ele, que também é autor de diversas canções que figuram entre as mais pedidas da programação da rádio e nas diversas apresentações que faz, incluindo as do Círio de Nazaré - este ano ele canta na Trasladação e na procissão do Círio, no palco do Banco da Amazônia e Banco do Brasil (saiba mais na página 2).
“Tem uma expressão na Igreja que diz ‘quem canta reza duas vezes’. Eu gosto de tudo que faço e sempre tem música, tudo é sempre muito cantado. Há pessoas que gostam, mas também há pessoas mais tradicionalistas, principalmente entre as que frequentam a Basílica. Se colocar em porcentagem, eu diria que mais de 80% gosta das minhas missas cantadas”, contabiliza Geffison.
Ele também se diz feliz com a popularidade alcançada por outros padres cantores, como Alessandro Campos, conhecido como o Padre Sertanejo do Brasil, que com o disco “O Que É que Eu Sou Sem Jesus?” foi o único brasileiro a entrar para a lista dos 50 álbuns mais vendidos do mundo em 2014, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. “Eu fico muito feliz, porque por meio desses padres a nossa música [católica] acaba chegando a uma mídia laica, bem maior. O padre Alessandro, dirigido ao sertanejo, ritmo bem apreciado no Brasil, alcança uma realidade musical diferente”, analisa.
E ainda outras oportunidades continuam aparecendo na carreira do padre cantor paraense. Convidado da cantora Lucinnha Bastos para seu tradicional espetáculo de Círio, o “Canções de Fé”, Gefisson se apresentou pela primeira vez em um teatro. Ele aproveitou para mostrar seu repertório autoral, como “Com Tuas Mãos” e “Espírito Santo de Deus”. “Acho que essa é uma oportunidade que Deus está nos dando”, afirma, referindo-se ao grande número de padres que passaram a evangelizar através da música, tocando o espírito, o coração e os ouvidos dos católicos.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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