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B-boy paraense vai à final latino-americana

Quem já viu em reportagens meninos e meninas de Belém brincando de saltar sobre colchões improvisados como ginastas olímpicos ou desafiando a gravidade em encontros de break dance no Mercado de São Brás pode não imaginar, mas assim é possível ir longe. É

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Quem já viu em reportagens meninos e meninas de Belém brincando de saltar sobre colchões improvisados como ginastas olímpicos ou desafiando a gravidade em encontros de break dance no Mercado de São Brás pode não imaginar, mas assim é possível ir longe. É possível chegar do outro lado do mundo, como ocorreu com o paraense Ronielson da Silva Araújo, o b-boy Kapu, que foi convidado em 2010 para ir ao Japão, se apresentar na final do Red Bull BC One, uma das maiores competições de break do mundo. E agora ele volta a disputar uma vaga na final mundial. O desafio é passar pela final latino-americana, que ocorre dia 30, em Lima, no Peru.

Nascido em Belém, mas vivendo atualmente no Rio de Janeiro, Kapu, hoje com 29 anos, é um dos três brasileiros no campeonato após ficar em segundo lugar na final brasileira do Red Bull BC One, ocorrida na cidade de Salvador, em junho deste ano. Etapa considerada por ela ainda mais desafiadora do que aquela que o espera no país vizinho. “Em minha opinião, os melhores competidores da América do Sul e Central estão no Brasil. Sinceramente considero que a final mundial, na Itália, vai ser mais fácil que a nacional”, afirmou após a conquista de uma das três vagas para a final latino-americana.

A disputa será entre b-boys vindos do México, Chile, Peru, Colômbia, Venezuela, Cuba, Argentina, Costa Rica, Bolívia e República Dominicana. Agora, Kapu disputará uma única vaga para a final mundial do Red Bull BC One, que acontece no dia 14 de novembro em Roma, na Itália, como citado pelo atleta. O paraense teve o primeiro contato com o break dance em 2004, quando assistiu a uma apresentação em sua escola. “Eu já fazia movimentos parecidos na capoeira, na ginástica olímpica e no salto de rua. Gostei e fui procurar onde aprender”, conta.

Sem o apoio dos pais, que achavam a dança de rua apenas um passatempo sem valor, Kapu precisou treinar por três meses em segredo numa escola de dança local. “Mais tarde, levei-os a uma apresentação e eles começaram a me incentivar”, orgulha-se. Para o b-boy, estar na final latino-americana do Red Bull BC One no Peru é uma meta pessoal alcançada e o sonho de qualquer dançarino que almeja seguir carreira no universo b-boying. “O maior sonho de qualquer b-boy é entrar nesse circuito mundial de break composto por uma agenda de grandes eventos anuais, na qual um meio que complementa o outro”.

Identidade brasileira

O paraense sempre apostou na mistura de danças brasileiras e no uso de sua experiência em ginástica olímpica e dança contemporânea para vencer os campeonatos. “Estou me dedicando muito, criando e me esforçando para me destacar e chegar a um nível que ninguém imaginou ainda. Quando estou dançando, me sinto como um artista, porque, além da batalha, tenho que dar um show, tenho que me divertir e também tentar passar tudo que estou sentindo para o público e é isso que vou fazer no dia 30”, declara.

Nestes campeonatos não existem regras que limitem a sua movimentação, mas são exigidos alguns fundamentos básicos e avaliadas questões como o carisma, a evolução dos movimentos e a musicalidade, explica Kapu. “De repente, posso pegar o carimbó e transformar em algo próximo dos fundamentos do break, sem problemas”. Sobre seu processo de criação, ele diz que prefere ter a liberdade da solidão. “Preciso ficar só para criar os movimentos. Só depois gosto de mostrar para outras pessoas que costumam dar sua opinião, dicas, um toque que complemente o que criei.”

Essa criatividade, ele diz, é também o principal desafio para quem deseja se tornar um b-boy brasileiro. “Nossa cultura é muito diversificada, por isso acho que o maior desafio para um b-boy brasileiro é criar sua identidade. Diferente do que acontece com o balé e outras danças acadêmicas, onde você precisa seguir determinados passos e o que conta é a execução, no break cada um tem que criar seus próprios movimentos, seu estilo, compor uma identidade e ter a atenção de levar consigo essa pegada brasileira, ao invés de ser uma cópia fiel dos b-boys americanos ou europeus”, considera.

Kapu embarca para Lima com outros dois b-boys brasileiros: os paulistas Luan, 24, que venceu a etapa latino-americana de 2014, e Ratin, 23, vencedor de todos os duelos da final nacional. Durante a competição, cada um deles terá que mostrar seus melhores movimentos, com criatividade e em um ritmo único, para impressionar os jurados. Desde que foi criado, em 2004, o Red Bull BC One ajudou a destacar importantes b-boys brasileiros, como Pelezinho, que já disputou quatro edições do mundial, e Neguin, único latino-americano a conquistar o cinturão de campeão. Uma parte da história brasileira na qual o paraense almeja incluir seu nome com destaque.

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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