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Nada pode deter os Autoramas

Em 2004, os Autoramas tocavam pela segunda vez em Belém. O local, improvável, a Casa dos Artistas, bar no bairro do Telégrafo mais afeito a shows de bolero e bailes da saudade. De lá para cá, o power trio comandado por Gabriel Thomaz retornou algumas veze

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Em 2004, os Autoramas tocavam pela segunda vez em Belém. O local, improvável, a Casa dos Artistas, bar no bairro do Telégrafo mais afeito a shows de bolero e bailes da saudade. De lá para cá, o power trio comandado por Gabriel Thomaz retornou algumas vezes à capital paraense, quase sempre com uma baixista diferente, apenas ladeado sempre pelo baterista Bacalhau. Em novembro, quando subir aos palcos em mais uma oportunidade por essas bandas, na 10ª edição do Festival Se Rasgum, Gabriel estará ao lado dos três novos integrantes.

Depois de 16 anos como um power trio, hoje a banda tem quatro membros, apenas Gabriel remanescente da primeira formação. Juntaram-se a ele o baixista Melvin - o primeiro homem depois de três mulheres -, o baterista Fred Castro e Érika Martins, na guitarra, percussão, teclados e voz.

Fred é figurinha carimbada no rock nacional. Depois de anos com as baquetas dos Raimundos, ele volta a se encontrar com Gabriel, após de uma breve passagem pelo Little Quail and the Mad Birds. Já Melvin é uma espécie de baixista extraoficial de quase todas as bandas da cidade do Rio de Janeiro. Ele já esteve em Belém, em 2006, no mítico show do Lafayette e os Tremendões no Bolero, e ano passado, no próprio Se Rasgum, com o Acabou la Tequila. Já Érika sempre foi uma presença constante na história dos Autoramas. Ela e Gabriel estão juntos há 13 anos e as participações em shows e composições não foram poucas.

“Com quatro pessoas no palco o show é mais dinâmico, tem mais coisas acontecendo. Mesmo com as formações anteriores, a gente já pensava em ter um quarto membro”, garante Gabriel.

O retorno deles depois de tocarem em 2006 no Se Rasgum, na terceira edição do festival, se deu porque na 10ª edição do evento alguns shows que foram marcantes vão se repetir. Caso dos brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju e das paraenses Telesonic e A Euterpia. Para o vocalista dos Autoramas, aqueles dias estão fincados na memória porque foram duas apresentações em pouco mais de uma semana. Depois do festival, a banda voltou para uma apresentação aberta ao público no Píer das Onze Janelas, na véspera do Círio de Nazaré.

“Aquilo foi demais, pois foi uma semana depois de termos tocado no Se Rasgum. Foi muito marcante aquela semana. Me lembro demais daqueles shows, que pareceram um só. Parecia que nem tinha saído da cidade”, recorda. Esse ano, os Autoramas tocarão na última noite do festival, dia 21 de novembro. A seguir, acompanhe um bate-papo exclusivo com Gabriel Thomaz.

O público de Belém já é bem íntimo do Autoramas, mas pela primeira vez verá a recente formação da banda. O que ele pode esperar de novo?
Tocamos em Belém com todas as nossas formações e sempre fomos muito bem recebidos. Estamos em quatro agora e lançando um disco novo. De repente, no show do Se Rasgum podem ter músicas novas. É um passo importante de nossa carreira. A banda está sólida com a nova formação, encarando novas possibilidades. O forte dos Autoramas sempre foi o palco, os shows. Vamos colocar coisas novas no repertório, com uma performance nova, mas mantendo a qualidade que o Autoramas sempre foi.

A banda era um power trio e, agora, virou um quarteto. Como tem sido essa transição?
O estilo é o mesmo, o show não mudou, foi aperfeiçoado. Temos orgulho do que fazemos no palco. Com quatro pessoas o show é mais dinâmico, tem mais coisas acontecendo. Mesmo com as formações anteriores, a gente já pensava em ter um quarto membro. Tinha muita coisa que a gente colocava nos discos e que não conseguíamos reproduzir ao vivo.

Como é a relação da banda com o público de Belém, onde vocês já tocaram em festinhas em casas noturnas acanhadas e também em palcos maiores, como o do próprio Se Rasgum?
Adoro Belém. Quando passo muito tempo sem ir dá saudade. Eu tenho família no Norte, em Macapá, e gosto muito de ir para a região, me sinto em casa, muito tranquilo. O público de Belém, o do Se Rasgum, tem uma sintonia muito grande com a banda e fiquei muito feliz com a lembrança desses dez anos. Eu acho que a gente merecia.

Qual a lembrança que você tem daquele primeiro show no festival?
Me lembro muito de um show que fizemos na véspera de um Círio, no Píer [da Casa das 11 Janelas]. Aquilo foi demais, pois foi uma semana depois de termos tocado no Se Rasgum e foi maravilhoso. Foi muito marcante aquela semana. Me lembro demais daqueles shows, que pareceram um só. Parecia que nem tinha saído da cidade. Foram momentos muito divertidos, com lembranças excelentes. Em Belém conheci muita gente legal, bem informada. Por mim, tocaria bem mais em Belém

(Tylon Maués/Diário do Pará)

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