“A inclusão tem se tornado cada dia mais tema premente e inadiável. Várias vêm sendo as estratégias usadas para garantir que pessoas com deficiência tenham ampla penetração nos ciclos sociais diversos. Há muito, a arte se prova ferramenta inteligente e sensível para favorecer a inclusão”, afirma o poeta e dramaturgo paraense Carlos Correia Santos, apontando ainda o teatro como especial ferramenta para tratar de temas ligados a esse universo.
Através desta linguagem, o dramaturgo propõe que as pessoas com deficiência tenham a oportunidade de experimentar o fazer artístico e, “o que é ainda mais interessante”, segundo ele, que os artistas proponham espetáculo que convidem as plateias a viver “sensações e desafios inerentes ao terreno das deficiências”. E é por essa razão, que Carlos Correia propôs a “Oficina de Dramaturgia Inclusiva: Como Criar Espetáculos Cênico-Sensoriais”, que inicia hoje, na Casa das Artes.
A proposta é – ao longo das aulas – compartilhar informações e técnicas para a construção de dramaturgias que proponham para a plateia diversas experiências sensoriais que a aproxime do universo de deficiências como a cegueira, a surdez, a limitação física e os déficits cognitivos, como autismo e síndrome de down. É quase uma aula de conscientização para o público.
“As aulas vão fazer os alunos entenderem como é possível escrever textos que proponham experiências cênicas em torno dos ambientes de deficiência. Textos que desafiem atores e público a lidar com essas circunstâncias. Obras que possam ser encenadas por pessoas com deficiência e por pessoas sem deficiência, ensejando, assim, a inclusão”, descreve Carlos.
Por isso, o público-alvo da oficina vai além de dramaturgos novatos e experientes, busca pessoas com deficiência ou sem deficiência, professores que trabalhem em sala de aula com alunos que apresentem deficiência e o público em geral, cujo único requisito é “estar interessado em experiências de inclusão”. Mas o que seria esse tal “espetáculo cênico-sensorial inclusivo”?
“São aqueles em que atuam pessoas com e sem deficiência. São também experimentos em que a plateia é sempre convidada a mergulhar em sensações variadas vividas pelas pessoas com deficiência. Podem ser espetáculos encenados na escuridão, encenados sem qualquer som ou fala. Espetáculos que convidem o público a sentir limitações físicas, que mostrem a necessidade que precisamos ter de sempre nos colocar no lugar do outro para, assim, entende-lo e aceitá-lo”, conceitua.
Carlos Correia Santos, três vezes premiado pelo antigo Instituo de Artes, é pós-graduado em Educação Especial com Ênfase na Inclusão. Focando nesta formação iniciou também um trabalho de criação de um grupo permanente de teatro inclusivo, o Cena Especial – Teatro Inclusivo, que tornou-se um projeto de extensão da Fibra, estreando com o espetáculo cênico-sensorial “Pelos Olhos Dela”, o qual convida o público a mergulhar no universo da cegueira.
“Já trabalho com arte-inclusão há algum tempo e percebo respostas cada vez maiores e melhores tanto dos artistas que querem mergulhar nesse campo quanto do público que se dispõe a participar e se integrar a produções culturais inclusivas. Possibilitar esse tipo de ação representa dar ao entorno social um aporte de respeitabilidade imenso”, finaliza.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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