"Alguma coisa interferiu com o fluxo dos eventos no espaço-tempo, Marty!", exclamaria o doutor Emmett Brown. Chegamos em 21 de outubro de 2015 e é hora avaliar o que a trilogia cinematográfica de viagens no tempo "De Volta Para o Futuro" acertou em suas previsões ou não.
Em "De Volta Para o Futuro 2", o segmento focado em 2015 (o primeiro se concentrou em 1985 e o terceiro, em 1885) enxergou muito do que a humanidade experimentaria em seu cotidiano três décadas depois.
Um dos grandes lampejos foi perceber que nos tornaríamos consumidores ainda mais vorazes de informação. Em tom de piada, vemos Marty McFly Jr. (o prototípico adolescente desse futuro fictício) escolhendo diversos canais de TV para ver ao mesmo tempo.
A conversa por videoonferência foi um dos "acertos" da trilogia. Imagem: Reprodução
É bem verdade que o próprio conceito de "canal de TV" já está se tornando anacrônico, mas o comportamento é idêntico ao de jovens que abrem diversas janelas de um navegador na internet, para consumir conteúdo de vários sites diferentes.
Outro acerto foi a aposta no 3D. Marty é confrontado com a popularização dos filmes tridimensionais, diante de um assustador holograma-trailer do filme "Tubarão 19". (Embutida aí também está a previsão de que sequências cinematográficas se tornariam a regra, em vez da exceção, na indústria.)
Onde ele errou
Ainda não temos carros voadores. A revolução automobilística mais palpável no horizonte é o advento dos veículos que dirigem sozinhos. Mas estamos longe de transferir as rodovias para o ar.
"De Volta Para o Futuro 2" também se mostra excessivamente otimista sobre transformações da matriz energética humana. Enquanto ainda nos debatemos com o uso do petróleo e o impacto que isso tem na transformação climática do planeta, o doutor Brown instalou em seu carro-máquina do tempo um dispositivo chamado "Mr. Fusion".
A ideia é que, por meio de poderosas reações de fusão nuclear –as mesmas que operam no interior das estrelas– seria possível abastecer o carro com literalmente qualquer porcaria, de restos de cerveja a cascas de banana.
Apesar de haver iniciativas como Google Glass, os "super óculos" de McFly aina não existem de fato. Imagem: Reprodução
Enquanto isso, no mundo real de 2015, ainda não conseguimos produzir energia com fusão nuclear nem na escala do laboratório. Que dirá num dispositivo portátil para automóveis...
E, claro, o "erro" talvez mais evidente seja o de que não temos nem a mais vaga ideia de como construir uma máquina do tempo. Muito provavelmente, trata-se de uma ideia impossível.
Mas, no filme, ela se presta a uma mensagem bastante verdadeira: embora as tecnologias mudem ao nosso redor, o ser humano, em sua essência e seja qual for a época, permanece essencialmente o mesmo.
(DOL, com informações da Folha de S. Paulo)
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