Mais do que um meio de comunicação entre as pessoas, a internet é sinônimo de revolução para todos os âmbitos sociais, seja na educação ou na economia. Para entender o que se passa nessa apropriação da tecnologia, o sociólogo e jornalista francês Frédéric Martel viajou para mais de 50 países descrevendo e dissertando sobre como as diferentes sociedades utilizaram essa tecnologia da comunicação, muito tempo considerada uma novidade, mas que pra nós, brasileiros, já é conhecido há 20 anos. “Com a internet, com a nossa nova era digital, estamos participando e observando uma globalização e uniformização cultural e linguística. No mundo, um a cada cinco habitantes tem Facebook, está presente em redes sociais e participando da digitalização e da globalização”, explica a diretora da Aliança Francesa de Belém, Myriam Mugica, responsável pela conferência que o autor participou ontem. Hoje ele fará o lançamento e a noite de autógrafos de “Smart”, na Livraria Saraiva, do Boulevard Shopping.
O autor lança na capital paraense o seu mais novo trabalho, livro intitulado “Smart – Pesquisa sobre as Internets” na versão brasileira da editora Record. A conferência tem o título de “Smart – O que você não sabe sobre a Internet” e o autor defende que o mundo não apresenta somente uma internet global, mas diferentes formas de aquisição dessa tecnologia, que é usada com particularidades, com objetivos diferentes. Na pesquisa que ele fez em 50 países, ele viu que o jeito como a internet é usada é diferente em cada país. Se você está no Soweto, na América do Sul ou nos Estados Unidos, vocês vai estar na internet de uma maneira diferente. Se você está num país numa ditadura, se você está em guerra, você utiliza a internet para lutar e se informar. Ele vai demonstrar esse aspecto, mas que é apenas uma das discussões”, comenta Myriam, que acredita que esse deslocamento geográfico é muito importante para o resultado que o livro traz. “É difícil estudar esses movimentos que são muitos rápidos. Pra ele era muito importante ir nesses países. Ele foi lá pesquisar pra essas pessoas, no dia a dia, como as pessoas estão usando a internet”, completa.
Enquanto os convidados esperados, entre estudantes e professores universitários, vão aprender que internets são essas, o pesquisador pretende aprender como nós, belenenses e amazônidas, utilizamos a internet. Apesar de ficar na cidade apenas no fim semana, o pesquisador pretende trocar ideias, discussões e informações, e está aberto para o debate, em uma região em que sempre esperou visitar, afirma Myriam. “Era muito importante pra esse pesquisador vir até Belém. Pra ele, Belém está no mapa dos lugares onde ele quer pesquisar pra entender melhor como a gente tá usando a internet aqui. Então, as pessoas que vão participar, vão também compartilhar essas experiências com ele, nos dias que ele vai ficar aqui. Porque além de fazer o lançamento do livro, ele tá aqui para pesquisar, então eu acho que cada pessoa que participar dessa conferência e quer trocar ideias com ele, ele vai ficar muito interessado”, indica.
O pesquisador Frédéric Martel já lecionou na Universidade de Harvard, no Instituto de Estudos Políticos e no Instituto de Estudos Comerciais de Paris. Hoje, o francês realiza pesquisas a partir do Instituto Nacional de Audiovisual, há seis anos. É um especialista em indústria cultural, com títulos como o atual “Mainstream: A Guerra Global das Mídias e das Culturas” (2010), “Le Rose et le Noir” (1996) e “De la Culture em Amérique (2006), além de ter colaborado em diversas revistas literárias e intelectuais.
Para o lançamento de “Smart”, a diretora ainda afirma que são muito bem vindos os pesquisadores locais dessas temáticas, que terão espaço para conversar com o pesquisador, após a palestra. Em Belém, o sociólogo ainda vai participar de uma sessão de autógrafos hoje, na Livraria Saraiva do Boulevard Shopping, na ocasião do lançamento do livro.
(Gustavo Aguiar/Diário do pará)
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