O que Freud não conseguiu explicar, ou deixar explícito, os seguidores dos seus estudos complementam e expandem. O austríaco foi o pai da psicanálise, e o inventor do estudo, presenteando o mundo com diversas teorias que expõem a complexidade do ser humano e da psique que cada um carrega consigo. Depois de 1939, quando Freud morreu, o francês Jacques Lacan foi um dos que deu continuidade à investigação teórica da psicanálise. Dois seguidores dos estudos de Jacques, a argentina Diana Silvia Rabinovich e o francês Alain Didier-Weill participam do 5º Encontro Nacional e 6º Colóquio Internacional do Corpo Freudiano, realizado nessa sexta-feira em Belém sob o tema “O inconsciente a céu aberto: as psicoses na Psicanálise”.
“A importância de Jacques Lacan se deve à releitura que ele se dedicou a fazer da obra freudiana, tanto quanto dos avanços possíveis a partir disso. Para o tema que nos reúne no quinto encontro do Corpo freudiano, sobre as psicoses em suas diferentes complexidades e formas de abordagens, essa contribuição alcança uma de suas maiores expressões. Não somente Lacan tratou de dar relevo à contribuição freudiana no campo das psicoses, mas também retomou o caso principal de Freud, o caso Schreber, e mostrou a necessidade de reformulação de alguns conceitos em função da Linguística e da Antropologia estrutural”, explica o escritor e pesquisador paulista Mauro Mendes Dias, um dos convidados do evento.
Hoje, as pessoas existem em função das experiências humanas, seja no aprender algo novo ou no descobrir novas perspectivas de nossa vida mundana. O desvendar a mente e os “problemas” que de lá surgem são os principais caminhos visados por esses pesquisadores no evento, com dois objetivos. “O primeiro deles se encontra marcado pela possibilidade de conhecer e dialogar sobre as pesquisas que serão apresentadas pelos pesquisadores de diferentes estados brasileiros, assim como do exterior. O segundo tem a ver com poder descobrir de que forma determinados problemas, considerados graves, abordados em sua maioria pela tradição médica, podem também ser tratados com diferentes tipos de êxito, a partir de um campo, o da Psicanálise, que mantém como sua linha mestra de intervenção o campo da linguagem e da palavra”, explica o psicanalista.
Doutora em Psicanálise pela Universidade de Paris 5 e licenciada pela Universidade de Buenos Aires, UBA, onde é professora, Diana Silvia Rabinovich é autora dos livros “Cínica da Pulsão”, “A Angústia e o Desejo do Outro” e “O Desejo do Psicanalista”, publicados no Brasil, que vai proferir a conferência de abertura do evento, intitulada “O desejo e sua interpretação”. Já Alain Didier-Weill, que também é dramaturgo e cineasta, se prende às pesquisas que relacionam a psicanálise e a criação artística e em Belém participa de dois espaços que desvendam o “superego”. Durante sexta e sábado, o evento focou em contribuir para as discussões sobre os desafios colocados à Psicanálise em práticas clínicas contemporâneas que são voltadas para a psicose.
O estudo, apesar de pouco discutido em espaços abertos, é importante principalmente para os seres contemporâneos e globalizados que somos, de acordo com o pesquisador e psicanalista paulistano Mauro Mendes Dias. “A importância da Psicanálise para o psiquismo humano é bastante significativa, caso consideremos que nossa época se encontra marcada por uma exigência de pressa e de soluções que procurem dispensar maiores interrogações sobre quem sofre. Diante dessa tendência, a palavra cede lugar para o mundo das imagens e os sujeitos se reduzem a códigos de classificação, tanto quanto de medidas de prescrição de condutas. As consequências se fazem notar num empobrecimento dos diálogos, assim como no retorno expressivo de conflitos que se pretendiam curados por condutas empobrecedoras, responsáveis pela agudização dos diferentes tipos de mal-estar, tanto quanto de um sentido esvaziado de projetos sobre a própria vida”, conclui.
O evento tem hoje seu encerramento, no Hotel Crowne Plaza, que fica na Av. Nazaré. A programação completa está em www.quintoencontro.com.br
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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