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Sessenta anos e novinho em folha

Desde 2013, uma balada vem movimentando a noite de Belém, mas também provocando a curiosidade para a lambada, o ritmo paraense criado na década de 70. Um dos responsáveis por levar o suingue da lambada a nível nacional foi o Manoel Cordeiro, que produziu,

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Desde 2013, uma balada vem movimentando a noite de Belém, mas também provocando a curiosidade para a lambada, o ritmo paraense criado na década de 70. Um dos responsáveis por levar o suingue da lambada a nível nacional foi o Manoel Cordeiro, que produziu, entre tantos artistas da vertente musical, o conterrâneo Beto Barbosa. Depois de mais de 30 anos, ouvir esses discos era nostalgia, até que o jovem filósofo Felipe Cordeiro convidou o pai para produzir seu próprio disco. Manoel Cordeiro voltava aos estúdios e encontrava uma nova perspectiva para a música, se adaptando de maneira inteligente à era digital. A lambada ganha a cena novamente, junto de outros ritmos utilizados por Felipe no “Kitsch, Pop, Cult” (2012). Agora, ela é a estrela da “Lambadalada” o baile que nasceu em Belém mas já visitou Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba, comandados pela família Cordeiro.

Nesta sexta-feira, a casa de shows Tábuas de Maré, uma das palafitas da Baía do Guajará, recebe uma edição especial da Lambalada que comemora os 60 anos de idade de Manoel Cordeiro, 48 anos de carreira, ele frisa. A festa recebe muitos convidados e os que já confirmaram presença são o músico Ziza Padilha, as cantoras Iva Rothe e Keila Gentil, vocalista da Gang do Eletro, o ícone do brega Wanderley Andrade e o grupo Piña Colada, parceria de Camila Honda, Natália Matos, Nanna Reis e Juliana Sinimbú. A festa conta com os shows de Felipe e Manoel, que também aproveita a oportunidade para lançar a versão física do primeiro disco solo,

“Sonora Amazônia”, inteiramente instrumental com faixas de velha guarda, brega e da estrela da noite, a lambada.

Um “ambulante” livro de história da música paraense, Manoel Cordeiro explica que é importante lembrar que a lambada é de patente do Pará. “A gente criou a lambada mas ficou mal contada essa história, porque a Bahia se apropriou. Mas a lambada nasceu no Pará nos anos 70, com o disco do Vieira, o Pinduca também fazia isso. Depois, nos anos 80, chegaram os lambadeiros paraenses. O termo surgiu a partir de uma expressão de um radialista chamado Haroldo Caracciolo, ele fala assim ‘agora pra vocês eu vou tocar uma lambada’. Ele dizia isso pra determinar uma música forte, uma música caribenha, um merengue, uma cumbia, Pra esse grupo de ritmos, ele chamava de lambada, que a galera começou a dançar com os passos cavalo manco e o rabo de arraia”, comenta o músico, sempre bem-humorado.

Hoje, uma potencial atração exímia lambadeira é o grupo alagoano Figueroas, comandado por Givly Simons, declaradamente apaixonado pelo Pará, e que já teve oportunidade de tocar aqui em Belém esse ano, mas também de conversar com Manoel. O “mestre da lambada”, como já é chamado por muitos, teve contato com o artista depois que o filho lhe alertou sobre as músicas dos alagoanos, e correu pra internet. “Eu fui falar com ele pra perguntar de onde ele tirou isso. Aí descobri que ele fez toda uma pesquisa em cima da música paraense, ouvindo Vieira e outros”, declara o músico e produtor. “Vai chegando uma boa hora que é preciso entrar em campo pra gente espairecer, e lembrar esses ritmos, senão eles somem. A gente do Pará é muito frouxo pra assumir as músicas que são feitas aqui, e a gente precisa assumir a Lambada”, finaliza o mestre.

PARCERIA NO DNA

Em 2014, Manoel Cordeiro assinou um dos shows da 1ª Virada Cultural de Belém, onde não deixou de lembrar a saudade que estava de Felipe, que já havia se mudado para São Paulo. “É meu parceiro preferido”, declarava, encerrando a programação na Praça da Bandeira, no bairro da Campina, dedicando uma canção ao filho. Iniciada com o “Kitsch, Pop, Cult”, primeiro disco de Felipe, a parceria se formula como uma troca de gerações e experiências. “A minha relação musical com o Felipe não tem o negócio de pai da jogada, somos dois músicos. O cara velhão e o músico novo. Eu comecei a perceber que havia uma mudança em como as pessoas estão ouvindo música. O jovem interpreta menos a música como arte e mais como um arquivo mp3. Mas isso é a linguagem contemporânea. Ele [Felipe] me informa, ele me dá referências da linguagem contemporânea musical. E eu ofereço o fundamento, uma experiência, uma base pra essa música. E como a gente não tem vaidade, não existe isso de briga pra ver quem leva mais, tudo ocorre muito bem. Quando a gente está junto é conversando sobre música, ouvindo tudo, do Brasil todo, e tendo uma posição muito fácil do que é a música paraense”, complementa. A “Lambalada” se concretiza como o ápice dessa união.

(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)

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