Os primeiros batuques de curimbó e acordes de guitarra que soaram da Carimbó Pirata, nas Seletivas do Festival Se Rasgum, foram o bastante para colocá-la como a favorita da mostra competitiva. As batidas dançantes garantiram a banda em primeiro lugar nas seletivas, com uma vaga no festival 2015, sendo a atração melhor avaliada pelo público e pelos jurados. Não chega a ser um fato curioso, já que o festival que começou com Rock no nome, passou para Música e hoje vai além das apresentações nos palcos, teve nessa transição a presença constante dos ritmos paraenses, sejam eles clássicos ou contemporâneos, praticamente todos feitos para dançar.
Além das bandas locais, que sempre permearam as programações ao longo desses nove anos, a partir de sua terceira edição o Se Rasgum passou a ter “elementos estranhos” a festivais bem mais voltados a sons alternativos. Começou o tecnobrega psicodélico do DJ Maluquinho, que precedeu apresentações de Gaby Amarantos, Pinduca, Gang do Eletro, entre outros. A partir desse terceiro ano, também, o SR passou a ter um palco apenas para sons mais alternativos, ainda. Além de experimentações, o “Laboratório” se caracterizou por ter muitos artistas com sons de raiz, em especial o carimbó. Com o passar do tempo e a mudança de endereço, o espaço desapareceu, mas esses artistas foram assimilados.
É assim que o Carimbó Pirata fará sua estreia no festival. Para André de Alcântara, fundador do grupo e responsável pelo curimbó da banda, apesar de o som estar entranhado na cultura paraense, ele ainda sofre preconceito, o que vem sendo dirimido nos últimos anos. “O carimbó, sem dúvida, é a maior força cultural do Pará, mas ainda sofre um certo preconceito aqui no seu local de origem. Aos poucos fomos achando um jeito de fazer a galera curtir mais o ritmo, fazendo releituras de músicas conhecidas nacionalmente e também daqueles clássicos merengues e cumbias que ouvimos por aqui devido a nossa proximidade das Guianas”. Em tempo, nessa quarta-feira, 11, o carimbó recebe o certificado de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
De acordo com André, o bom humor que a banda apresenta no palco tem sido um dos diferenciais do Carimbó Pirata - isso aliado ao fato de que dificilmente alguém consegue ficar parado com o ritmo. “Outro fator que ajuda muito é o bom humor presente nas composições autorais e nas versões que fazemos de clássicos antigo, originalmente cantados em crioulo (francês falado na Guiana Francesa) e castelhano. A amizade da galera da banda ajuda muito a passar a nossa energia pro público, porque quando estamos no palco, pode ter certeza, estamos nos divertindo”, declara.
A banda é uma das atrações no dia 18 de novembro, quarta-feira, na programação do 10º Se Rasgum, na Estação das Docas. O show será especial e ainda vai contar com surpresas: André só adianta que será a participação de um guitarrista e de um cantor muito conhecido. “Temos certeza que dificilmente vocês verão um encontro desse tipo no palco novamente! Não é ‘fuleiragem’, quem for verá!”. No mesmo dia, a paulista Bixiga 70 sobe ao palco depois da banda, continuando a festa com muitas experimentações de Beats. A Carimbó Pirata ficou mais conhecida na noite de Belém, depois de tocar com a diva do carimbó chamegado Dona Onete, que também integra a programação do festival Se Rasgum 2015, sendo um dos shows mais aguardados da sexta-feira, 20/11.
(Diário do Pará)
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