Marina Benarrós foi uma das precursoras da dança de salão e da dança do ventre no estado do Pará e faleceu ano passado, depois de 20 anos de atividades com a Academia de Dança. Seus amigos e alunos realizam, quase um ano depois, o evento que foi idealizado por ela, o Congresso Salão Brasil de Dança com o objetivo de valorizar o professor e profissional da dança de salão em Belém. Além de promover um encontro de troca de experiências, o congresso finaliza com um concerto intitulado “Contigo”, que traz - além de dançarinos de companhias renomadas, como o bailarino Rodrigo Marques, da Companhia de Carlinhos de Jesus (RJ) - a participação de cantores como Alba Maria, Eloi Iglesias e Lucinnha Bastos, e também da Orquestra de Samba e Choro Uirapuru, sob o conceito de estar sempre perto das pessoas.
“Durante esses 20 anos de atividade cultural, queremos afirmar que é um prazer estar com a música, com os cantores, com os professores convidados. É muito interessante chamar músicos para estar com a gente no palco e diversificar nossas atividades. Foi gratificante realizar um festival internacional de tango na Amazônia, com uma orquestra de tango, assim também como diversos profissionais da dança do ventre e com o próprio aluno, porque na verdade é ele que movimenta a academia, o mercado”, explica um dos organizadores do evento, o bailarino César Cordeiro.
O congresso teve início dia 12 de novembro e o concerto de encerramento será realizado no dia 15, domingo, no Teatro Margarida Schivasappa, na sede da Fundação Cultural do Pará. Passeando pelo samba, bolero, gafieira, dentro outros, o evento quer valorizar principalmente a atividade de dança de salão e os profissionais que trabalham diretamente com ela. “O que mais a gente quer é que principalmente as pessoas possam ver a dança de salão como fundamental para o mercado de trabalho, qualidade de vida e para a saúde. Cada vez mais médicos orientam as pessoas a praticarem essas danças. E cada vez mais nós, professores, temos dificuldade de trabalhar com patrocínio e por isso caminhamos de forma própria”, reclama César, que acredita que dança de salão é mais que uma dança social, enxergando na modalidade um apelo cultural que não é visível para todos. “Muitos que estão governando as escolas de dança em Belém não veem como algo cultural do Pará. E na verdade, a dança de salão também compreende o brega, o merengue paraense, o carimbó e o xote. São ritmos que fazem parte”, reivindica.
Agora, com a Academia Marina Benarrós sem sua fundadora, o objetivo é manter novas parcerias para continuar realizando as aulas e os eventos, e a busca da atual gestão se concentra em empresas e órgãos do governo, para assim atrair novos alunos - com descontos e a promessa de uma saúde renovada e uma vida melhor.
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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