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Filme conta história de trabalhadores de lixão

O que acontece quando se fecha um aterro sanitário? O que acontece quando mais de 2 mil famílias ficam sem sua fonte de renda? E mais, o que acontece com todo o lixo gerado e recolhido sem qualquer planejamento de destino? Estas são algumas das perguntas

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O que acontece quando se fecha um aterro sanitário? O que acontece quando mais de 2 mil famílias ficam sem sua fonte de renda? E mais, o que acontece com todo o lixo gerado e recolhido sem qualquer planejamento de destino?

Estas são algumas das perguntas que ecoam em parte da população de Belém desde que foi anunciado o fechamento do “Lixão do Aurá”, segundo maior aterro sanitário do Brasil. O processo de fechamento é o mote do documentário “Catadores de Sonhos”, dirigido pela jornalista Ursula Vidal e pelo cineasta Homero Flávio, que chega agora aos olhos do público, com patrocínio do Banco da Amazônia (nas etapas de finalização e lançamento), co-produção da ONG No Olhar e Azes da Comunicação e realização da Abre-te Cérebro Produções.

Filmado entre os anos de 2014 e 2015, o documentário “Catadores de Sonhos” mapeou algumas das histórias de quase 2 mil catadores que encontraram no lixo seu local de acolhimento social e base para o sustento de suas famílias.

A falta de planejamento, ao longo de mais de 20 anos de acúmulo desordenado do lixo domiciliar, causou um grave problema ambiental. Com o fechamento do aterro o destino dessas centenas de famílias que sobrevivem catando material reciclável ainda é incerto. O documentário “Catadores de Sonhos” traz histórias do cotidiano desses personagens, mergulhando na dinâmica de suas relações sociais e familiares, mostrando sua luta pela sobrevivência e a dramática negociação com o poder público pela garantia de seus direitos.

De acordo com a diretora do filme, a jornalista Ursula Vidal, o registro foi feito a partir da perspectiva de quem transforma toneladas de material descartado em dignidade, inclusão social e sonhos, numa perspectiva que traz a tônica da preservação ambiental.

“A ideia do filme é também revelar a importância da implementação de um projeto de coleta seletiva nos bairros e cidades brasileiras, além de promover um novo olhar sobre o valor dos resíduos sólidos como fonte de geração de emprego e renda para milhares de famílias de catadores de material reciclável no país”, explica a documentarista.

Centrado no cotidiano de 4 representativos personagens que compõem o Lixão do Aurá, o documentário acompanhou a organização do movimento de catadores nas negociações com os agentes públicos, responsáveis pela gestão do Lixão do Aurá e pela elaboração do Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos.

Esse processo revelou os momentos de tensão e diálogo nas negociações entre catadores e agentes públicos, documentando o processo de transformação na gestão dos resíduos sólidos no segundo maior lixão do Brasil.

A primeira exibição de “Catadores de Sonhos” será neste sábado, 14 de novembro, na própria comunidade onde foi realizado. Segundo Ursula, o objetivo principal da produção é promover uma ampla discussão, em vários níveis da sociedade, sobre a importância do serviço ambiental prestado pelos catadores de material reciclável no Brasil a partir de iniciativa própria; além de fornecer material audiovisual para pesquisas e estudos voltados ao diagnóstico e análise das mudanças simbólicas que a nova gestão dos resíduos sólidos irá introduzir no cotidiano da sociedade belenense.

Filme agregou comunidade do Aurá

Com participação direta da comunidade que trabalha e mora no entorno do Lixão do Aurá, o filme é uma forma de valorização do serviço ambiental prestado pela categoria, além de uma importante ferramenta de afirmação da autoestima de centenas de homens e mulheres apartados do mercado formal de trabalho.

A dinâmica de filmagens do projeto foi pactuada com o grupo e discutida em assembleias da Associação de Catadores do Aurá - ASCA.

Ursula acredita que “Catadores de Sonhos” pode se tornar um importante documento histórico do processo de luta dos catadores pela inclusão social das famílias no novo plano de gestão dos resíduos sólidos, obrigatório em todo o Brasil.

“O que nós queremos é fortalecer o movimento dos catadores, registrando um momento histórico da luta da categoria pela inclusão social e pela valorização de sua participação na gestão ambiental dos resíduos gerados pela sociedade”, afirmou a diretora.

Ursula ressalta que a exibição do documentário para os catadores do Aurá, no próprio local onde eles trabalham, exerce importante papel na consolidação da força de organização da categoria, incluindo a participação dos personagens durante as mostras e festivais em que ele for incluído.

Escolhido dentre mais de 300 filmes para a Mostra Competitiva da Semana pela Soberania Audiovisual do Rio de Janeiro, o filme será exibido na capital carioca no próximo dia 20, iniciando assim o processo de circulação do documentário.

Além disso, o filme também será disponibilizado para a Associação de Catadores do Aurá - ASCA, que pode utilizá-lo em seminários, palestras, assembléias e rodadas de negociação com o poder público, como instrumento de divulgação do importante serviço ambiental prestado à sociedade pela categoria.

“Catadores de Sonhos” foi realizado com patrocínio do Banco da Amazônia - nas etapas de finalização e lançamento - e co-produzido pela ONG No Olhar e Azes da Comunicação. A realização é da Abre-te Cérebro Produções.

Sobre os diretores

Em 1999, Ursula Vidal dirige o Documentário “Marias e Josés de Nazaré”, sobre a maior festa religiosa do país: o Círio de Nazaré. O filme rodou diversos festivais e foi exibido em emissoras no Brasil e em Portugal. No mesmo ano, recebe um prêmio da Fundação Itaú Cultural com o projeto “A Caravana do Brega”. Há 13 anos, apresenta, roteiriza e dirige o programa Etc & Tal, exibido aos sábados no SBT Pará.

Em 2012, faz uma Pós-Graduação em Sustentabilidade na Fundação Dom Cabral, em Minas Gerais. Em março de 2014, começa a filmar o Documentário “Catadores de Sonhos”, sobre a vida dos catadores que trabalham no segundo maior lixão do Brasil: o Aterro do Aurá.

Homero Flávio é produtor e diretor audivisual desde 2002. Participou de cursos de cinema com profissionais como Rosemberg Cariri (Roteiro/2004), Chico Diaz (Direção de Atores/2003), e Pedro Carvana (Direção/2003), entre outros. Em 2002 dirigiu o curtametragem de ficção “O Xis”, vencedor do 1o Festival Amazonas de Filmes do Minuto. Em 2003 seu curta “A Primeira Idéia”, entrou para o Portal de Curtas da Petrobras, após ficar em terceiro lugar no festival “Um Amazonas”. Em 2008, recebeu o prêmio de melhor filme (média metragem) no 5o Festival de Belém do Cinema Brasileiro, pela ficção “Raiz dos Males”, que no mesmo ano também levou os prêmios de melhor filme, roteiro, direção, ator e júri popular no 32o Festival Guarnicê de Cinema.

(Diário do Pará)

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