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Se Rasgum inicia amanhã 10ª edição com line up

A primeira festa assinada pela equipe que se reuniu em torno do que hoje é conhecido como o Festival Se Rasgum data do ano de 2003. A vontade era de promover um espaço para o público consumidor de música alternativa, que vinha por canais como a Music Tele

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A primeira festa assinada pela equipe que se reuniu em torno do que hoje é conhecido como o Festival Se Rasgum data do ano de 2003. A vontade era de promover um espaço para o público consumidor de música alternativa, que vinha por canais como a Music Television, MTV, aqui do Brasil, e pela internet. Discotecagens e bandas cover permeavam a programação das festas. Percebendo a qualidade e a quantidade de boas bandas que a cena paraense cultivava, que também eram inspiradas nesses mesmos canais, surgiu em 2006 o primeiro Festival “Se Rasgum No Rock”, dando espaço para os artistas autorais de Belém e trazendo para a cidade bandas que não entrariam no circuito pop, mas também não circulavam no underground que sempre houve na capital paraense.

O 10º Festival Se Rasgum, que começa nesta segunda, 16, e segue com shows, espaços de compartilhamento de informações e sessões de cinema até o dia 21 de novembro, sábado, veio para lembrar toda a história construída no mercado musical paraense pelo Se Rasgum. O público também vai poder lembrar essa história, de forma imagética, com uma exposição fotográfica que traz shows de nove edições do evento (2006 a 2014), feitas pelos fotógrafos Renato Chalu, Renato Reis, Caio Brito, Marcelo Lelis e Thiago Araújo - fotógrafo que faleceu esse ano e fotografou incontáveis edições do Se Rasgum e a primeira edição do Sonido, festival de música instrumental que a produtora lançou em 2015. A mostra tem curadoria do fotógrafo e artista Miguel Chikaoka e tem vernissage nesta segunda-feira, 16, na Galeria Gotazkaen. Olhando para trás e para essas dez edições, o que o diretor artístico do evento, Marcelo Damaso, percebe é “o quanto a minha barba ficou branca”, brinca.

“Tem muitas pessoas que passaram pela nossa equipe de produção, muitos chegados que colavam só para dar uma força, outros só pra dar close. Muita gente já passou pela nossa história, e isso é bacana”, avalia o jornalista.

Porém, o que jornalistas, músicos e especialistas que trabalham no mercado percebem é que o festival foi um grande impulsionador de consumo e produção de música no estado. Marcelo vê “o quanto o festival mexeu com muitos setores da cena musical, desde a formação de público à formação de novas bandas. Vejo o público insano nas fotos e penso que ele continua o mesmo. O mais curioso é ver o quanto as novas gerações foram formadas por isso e nem tem ideia. É curioso ver como as pessoas pedem artistas que nem lembram que vieram há muitos anos”, conclui.

Já a diretora executiva do festival, Renée Chalu, acredita que foi a realização do sonho de criar o primeiro festival o principal passo dessa história, e profissionalizar o próprio trabalho para inspirar a cena. “Teve um momento em que pensamos em desistir, porque apesar de sempre acreditarmos no projeto e sabermos de sua importância, o festival precisava se tornar sustentável, visto como um negócio dentro do mercado musical. Todos os envolvidos precisam receber pelo seu trabalho, produtores, artistas, fornecedores. É isso que faz o mercado crescer e se profissionalizar”, declara, lembrando que a produção teve que se formalizar e hoje pensa e trabalha o ano inteiro para a realização do evento.
A importância de se produzir um festival independente de música alternativa em Belém do Pará, considerado um dos cinco melhores do Brasil, foi afirmada com a contemplação no Prêmio Funarte de Programação Continuada para a Música Popular 2015, para incentivo de festivais e palcos de música, em que o Se Rasgum ficou em primeiro lugar. “O prêmio é uma garantia de que teremos uma edição no ano que vem, nem que seja só com isso, mas teremos. Não temos plano de ser o ‘maior festival da Amazônia’. Queremos fazer bem, dando chance aos novos e explorando a música brasileira em toda a sua diversidade”, explica Marcelo.

Com 28 atrações, o Festival Se Rasgum 2015 chega com cinco dias de música, uma programação de formação de músicos e produtores culturais, uma mostra fotográfica e uma mostra de cinema, apresentando documentários musicais, seguindo com a afirmação do compromisso de não só promover shows, mas promover um mercado consistente e autossustentável de música no estado.

Profissionalizar para crescer junto

Visada e inserida nos holofotes midiáticos desde meados de 2010, a música paraense vem sendo explorada por diversos artistas que não tem raízes no estado, como Banda Uó (GO), Mohandas (RJ) e Figueroas (AL). Expoentes de diversos ritmos do estado já estão colocando os ritmos paraenses e formando um símbolo musical do espaço geográfico do norte. Porém, a cena musical de Belém não dispõe de um mercado fortificado, por isso os trabalhos ainda dependem de editais de incentivo e às vezes não conseguem criar renda com esse trabalho.

A falta de profissionalização da cena é um problema apontado pelo Se Rasgum, que desenvolve nesta edição mais uma Semana de Profissionalização da Música Paraense, que reúne diversos profissionais qualificados com experiências nacionais e internacionais para discutir e ensinar. Um desses profissionais é o músicoe ex-VJ da MTV, Luiz Thunderbird, que ainda mantém programas de rádio sobre música em São Paulo, e ministra uma palestra dentro da Semana de Profissionalização. “A palestra é sobre a história do Rock Nacional, mas sempre espero que os presentes interfiram, contribuam e, juntos, cheguemos a um panorama geral do movimento. Acho muito positivo, após a palestra, que façamos um debate e busquemos horizontes e possibilidades pra estruturação dessa movimentação musical. Acho que vai ser um grande barato!”, conta Thunderbird, que vem à Belém pela primeira vez.

Dentre os espaços de discussão da Semana, temas como a discussão do mercado midstream, aquele que não é nem pop nem underground, os passos para a música de exportação internacional, com o convidado David McLoughlin, que trabalho justamente com exportação da música nacional, entre outros. Porém, a edição desse ano aposta no mercado digital como um cenário pouco discutido em Belém. A ideia é desvendar como funcionam as plataformas de streaming, como a Deezer, um dos parceiros do Festival esse ano, além de discutir de que forma funciona a economia de música na internet, listando os passos para fazer sucesso no ambiente online. Toda a programação é gratuita e as mesas e palestras têm entrada livre, sem necessidade de inscrição prévia.

(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)

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