Na última sexta-feira, 13 de novembro, a Baby loyds subia no palco do resistente Rock Rio Guamá que, assim como a banda, também nasceu na década de 80. O grupo era um ícone do cenário underground que surgiu nesse período e persiste até hoje, ao lado da Delinquentes, que é considerada a banda paraense mais antiga em atividade. Mas esse foi o último show com o seu criador e frontman. Gerson Costa, vocalista e guitarrista, faleceu na noite do sábado, 14, segundo sua esposa Jalva Braga, na BR-316, em frente à prefeitura de Ananindeua. Ele foi atropelado por um caminhão de lixo que percorria a via em alta velocidade.
Depois do show no Rock Rio Guamá, Gerson foi convidado por um amigo a ir para Mosqueiro. Na volta para Belém, ele saltou da carona do amigo, e logo foi surpreendido pelo caminhão. Dado como desaparecido desde o fim de semana, Jalva só encontrou o corpo do esposo na última terça-feira, 17, depois de percorrer as páginas do caderno Polícia do DIÁRIO DO PARÁ e encontrar uma matéria que apresentava uma vítima com as características de Gerson. A confirmação veio à tona depois de visitar o Instituto Médico Legal – IML.
Dada a notícia, amigos e músicos próximos se mobilizaram para ajudar no custeio do velório, que foi feito no Gold Pax, no bairro da Pedreira, em Belém, durante a tarde de ontem. De acordo com Jalva, o velório foi feito em Belém para que os fãs e amigos possam se despedir de Gerson, como uma última homenagem daqueles que o acompanharam nos shows. Hoje pela manhã, o corpo seria levado para a cidade de Santa Izabel, onde será sepultado.
Jayme Katarro, vocalista da Delinquentes e grande articulador da cena underground paraense, relembra que, aos 12 anos, Gerson ocupou o posto de baterista na banda de Jayme, durante algum tempo em meados dos anos 80. “Ele estava bem animado com a banda, que agora ia entrar em estúdio. Eles já tinham marcado um programa especial na Rádio Cultura, tinham shows marcados. É sempre muito chato quando a gente vê um amigo que não consegue concretizar o que ele tinha em mente, os sonhos”, comenta Jayme, que revela que a Baby loyds estava prestes a gravar o primeiro disco, em 25 anos de existência. “Era uma das poucas bandas dos anos 80 que nunca tinha gravado disco e eles iam fazer isso agora. Eu considero que a Baby loyds seja a banda de rock mais expressiva de Belém, sem pestanejar”, declara.
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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