Há 10 anos, o Parque dos Igarapés recebia o primeiro Festival Se Rasgum no Rock, uma festa que tinha a atenção do público por misturar bandas paraenses e convidados de outros estados do país. Nascia um evento que iria entrar no circuito dos festivais independentes do Brasil, palco para a música midstream, muito pop para o cenário underground e alternativa demais para o cenário pop. A décima edição do Se Rasgum, que começou a espalhar por toda a programação o cenário cultural do Estado, misturando ritmos e diferentes linguagens, relembra as bandas que marcaram a programação e concretiza o evento como um dos melhores no segmento em todo o país.
A programação chega ao seu clímax neste fim de semana, levando a dois palcos no Hangar, Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, 15 artistas e bandas, hoje e amanhã. Pelo Palco Petrobras, passam os mais aguardados dessa sexta-feira: a MPB com batidas africanas e jamaicanas da paulista Céu, e o indie rock lo-fi do canadense mais querido do cenário alternativo internacional: Mac DeMarco. No palco Deck, que fica na parte exterior da casa de eventos, o cearense Daniel Groove, o pop paulista de Adriano Cintra, e o carimbó chamegado da querida Dona Onete marcam presença. As paraenses Dharma Burns e Ana Clara completam a programação junto da carioca Cabaret. São cerca de 7 horas de música sem parar, promovendo uma experiência sonora diferenciada em Belém do Pará. Pela programação, power pop, pop rock, MPB romântica e com batidas negras, carimbó, disco e indie rock são alguns dos ritmos que confirmados para este 20 de novembro.
No último dia do Se Rasgum 2015, o rock, em todos os seus estilos e vertentes, é o mais bem contemplado na programação. Desde a experimental e predominantemente instrumental Thunderjonez (PA), que abre a programação sem economizar nos pedais das três guitarras, teclado e percussão, até o quarteto de rock anos 50 e 60, Autoramas (RJ), que abre para o show de Moraes Moreira e Davi Moraes (BA). Pai e filho vão fechar a programação do 10º festival, com o show “Nossa Parceria”, apresentando clássicos do disco “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos, mas também tocando novas composições da dupla. Além deles, a pós-rock Patife Band (PR) e o experimentalismo beat da sergipana Coutto Orchestra contracenam com a programação pauleira que traz a Delinquentes (PA) e a Project 46, paulistas que cultivam grandes fãs em Belém. O Se Rasgum traria mais um artista internacional, o ganês-inglês Myles Sanko. Mas o soulman sofreu um acidente na Espanha e quebrou uma costela, o que o obrigou a cancelar toda a turnê brasileira.
Além dos shows, o evento ainda promove o último dia da Semana de Profissionalização, com workshops e a palestra “A História do Rock Nacional”, ministrada pelo músico e jornalista Luiz Thunderbird, ex-VJ da MTV Brasil, com entrada gratuita. O evento é realizado nesta sexta-feira, 20 de novembro, às 18h, no Black Dog English Pub (Rua Bernal do Couto, 791). A programação do evento foi garantida pela Lei Semear e pela Lei Rouanet, com patrocínio da Oi, pelo programa cultural Oi Futuro, do Banco da Amazônia, e patrocínio máster da Petrobras.
Para a cena cultural da cidade, o festival funciona como uma catapulta para novos destaques e incentiva a qualificação musical, em direção à criação de um mercado de música. “Vejo o quanto o festival mexeu com muitos setores da cena musical, desde a formação de público à formação de novas bandas. O mais curioso é ver o quanto as novas gerações foram formadas por isso e nem tem ideia. Não temos plano de ser o ‘maior festival da Amazônia’. Queremos fazer bem, dando chance aos novos e explorando a música brasileira em toda a sua diversidade”, declara o diretor artístico do Festival Se Rasgum, Marcelo Damaso.
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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