No show do DVD gravado no Circo Voador em dezembro de 2012, o baixista e vocalista Rodrigo Costa solta a frase incentivadora antes da clássica “Hidropônica”, do primeiro disco de estúdio (Teoria Dinâmica Gastativa, 2005): “A gente vai, a gente perde. As coisas vem e vão e a única coisa que sobra é esse fogo que arde aqui, que é o amor.”
Essa energia da Forfun, que está ativa desde 2001, esteve presente no cenário rock good vibration, com grande influência do reggae, assim como diversas outras bandas nacionais, e que faz sua despedida dos palcos com uma turnê que chega hoje a Belém. O grande expoente desse cenário foi a Charlie Brown Jr, levando mensagens de paz, amor, energia positiva, respeito, igualdade, entre outros estilos que combatiam males como guerra e corrupção. De modo mais adolescente, a praieira ForFun escreveu sua história e a encerra em 2015, com a última turnê “Até logo, amigos”.
Talvez o amadurecimento dos sons, num processo natural de vida e de produção artística, fez com que a decisão viesse a calhar para os quatro integrantes. Mas o clima, ou definindo em melhor conceito, a “vibe” influenciou jovens ao redor do Brasil e Belém foi uma delas. Aos 13 anos de idade, por volta de 2008, o estudante Matheus Melo teve o primeiro contato com a banda. “Eu confesso não sou fã dessa geração de rock brasileiro que tem Deadfish, Scracho, CPM 22, por exemplo, mas o que me chamou atenção na Forfun é que todas as músicas são muito para cima e numa vibe muito positiva, para deixar os problemas de lado, dar a volta por cima, porque o importante é ser feliz”, argumenta Matheus.
A música dos cariocas foi o pano de fundo para os momentos felizes de Matheus e seus amigos. “Não só eu me identificava, mas o nosso circulo de amigos. A vibe que eles tinham como banda e amigos era a mesma do que eu tinha com meus amigos, sempre juntos nos piores e melhores momentos, principalmente nos melhores. A gente percebeu essa semelhança. Isso nos influenciou a gostar deles”, explica Gabriel Melo, primo e amigo do Matheus. “As mensagens que eles deixam são de parceria, amizade, igualdade pra todo mundo”, completa o estudante.
Nos 14 anos de banda, o início foi na brincadeira, lançando, com dois anos de estrada, o demo “Das Pistas de Skate às Pistas de Dança”, em 2003. Já em 2005 veio o primeiro álbum de estúdio, “Teoria Dinâmica Gastativa”, com letras que já firmavam seus fãs Brasil afora e já marcavam suas carinhas em aparições na MTV. “História de Verão” e “Hidropônica” marcam esse primeiro disco. Logo depois, veio o pop “Polisenso”, com hits nacionais que ultrapassam a internet e ganhavam as rádios, como o reggae “Sol e Chuva”, e “Aí Sim”. Matheus Melo, que acompanhou a banda desde o descobrimento, acredita que aí começa a segunda fase da banda.
“Poderia dizer que é mais séria, mas eu acho que não é a melhor definição. É uma fase que eles estão mais comprometidos com uma evolução interior, e batem muito em teclas de problemas sociais, que bebem muito no rap, e que eles deixam as referências bem claras. As duas fases não estão desconexas. Na primeira, eles já tinham umas letras que batiam em questões mais sérias e de ser uma boa pessoa, sem fazer referência a uma religião, doutrina ou ideologia específica”, comenta Matheus Melo que brinca: “os caras são quem eu quero ser quando crescer.”
Essa relação sinérgica da banda com as músicas e com os fãs fez parte do crescimento dos jovens e do encontro deles com a fase adulta, e o Matheus é um exemplo disso. “O ForFun contribuiu muito para quem eu sou hoje em dia, porque desde sempre eu procurei ver o copo bem cheio, o lado bom das coisas. E a música deles prega muito isso, de ser positivo, fazer o bem e tornar o mundo melhor do teu jeito”, finaliza o estudante, que teve a infelicidade de perder o primeiro e único show que a ForFun fez em Belém.
(Gustavo Aguiar / Diário do Pará)
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