Imaginem só um festival em que as pessoas podem entrar e se deparar com todo tipo de linguagem de humor, que vai do palhaço circense até o stand-up comedy norte-americano. O Risadaria, que é realizado em São Paulo desde 2010, teve na edição deste ano mais de 1 milhão e 400 mil expectadores, ultrapassando o maior evento desse porte até então, o canadense “Just For Laughs” (em tradução livre do inglês, “só pelas risadas”). Depois da 6ª edição, o festival realiza uma turnê pelo Brasil, mostrando pockets desse evento e deixando um gostinho da mistura feita pelo evento.
Neste fim de semana, em duas sessões, quatro nomes foram escalados para representar o festival em Belém. Marlei Cevada, humorista que integra o elenco da “A Praça É Nossa”, do SBT, Rodrigo Fernandes, criador do site Jacaré Banguela, uma das sensações do humor online, o humorista de stand-up vencedor do concurso da Rede Record e integrante do grupo “Comédia em Pé”, Victor Sarro, e Marco Luque, humorista que faz parte do CQC, da Bandeirantes.
O minifestival terá um espetáculo de cerca de 1h30 com apresentações que vão dos personagens, passando pela comédia cara limpa, ao tradicional stand-up. O Risadaria nasceu, conta o idealizador do evento, o radialista e humorista Paulo Bonfá, com a ideia de reunir estilos e confraternizar com vários profissionais do humor brasileiro. “É uma reunião de grande quantidade de performances, apresentações, espetáculos, junto com uma área expositiva de acervos de humor e comédia brasileira, falando da TV, rádio, internet, literatura e todas as possibilidades de humor”, explica ao DIÁRIO.
Foi a variedade que norteou a escolha dos humoristas que estão percorrendo o Brasil na turnê Risadaria. Além do show de cara limpa, Marco Luque traz o personagem Jackson Five, percebendo a boa recepção do personagem na Rádio Jovem Pan. “O mais legal do festival é poder encontrar os amigos e os comediantes. A gente está sempre fazendo show e não consegue assistir a ninguém. E dessa forma a gente consegue ver o trabalho da galera, os bastidores, além de presentear o público com estilos diferentes, artistas diferentes, e acaba se identificando um com os outros”, conta o comediante Marcos Luque, conhecido pela presença forte na bancada no CQC.
PAÍS DO HUMOR
A comédia é o gênero que talvez seja o mais bem aceito pelo brasileiro. Presente há décadas na televisão brasileira, no rádio, no cinema e um dos gêneros que mais faz sucesso na internet, o humor vem resistindo ao tempo e promove ciclos de exploração das linguagens. Apesar do boom do stand-up comedy no Brasil, há alguns anos, ele não é o único que ainda agrada e provoca humor, mas está ao lado de todas as outras linguagens que a comédia permeia. “Eu acho que o stand-up é um formato bem forte, de entretenimento, mas ele não disputa espaço com ninguém. A gente tem o estilo de personagens que há muitos anos funciona pra caramba. Tem o estilo de cada um e tem espaço para todos. Dá para dar risada de muita coisa. E a diversidade só faz com que a comédia, o humor se torne cada vez mais rico e mais importante pra gente. O humor consegue tocar as pessoas, falar de coisas sérias, chegar mais próximo e eu gosto muito de utilizar o humor pra chamar atenção das pessoas sobre coisas importantes. Eu acho o humor uma arma fundamental pra comunicação”, argumenta Marco Luque.
“O conteúdo de comédia vive em ciclos. Teve uma época em que o stand-up comedy apareceu como grande novidade, depois foram os jogos de inovação de humor com vários espetáculos de improvisação. Hoje temos os programas de TV que garimparam os caras de stand-up. O que não significa que depois de estar na crista da onda isso tudo suma”, acrescenta Paulo Bonfá.
Um dos exemplos de inovação nos estilos de humor é o formato de esquete, que foi explorado durante anos na televisão brasileira, ainda é utilizado, mas ganhou outro vigor com a liberdade que o canal do youtube Porta dos Fundos, deu aos temas, se tornando o maior canal de humor do Brasil e um dos maiores do mundo.
Para Paulo Bonfá, a diferença do “Just For Laughs”, o evento canadense de humor, para o Risadaria, é que no norteamericano é possível enxergar o estilo anglo-saxônico de fazer humor, enquanto que no brasileiro, o que importa é dar risada, sem limitações.
“Essa trajetória faz com que a gente hoje possa ver que o Brasil não é o país do carnaval, nem do futebol, mas o do humor. Eu conheço gente que não gosta de Carnaval, gente que não gosta de futebol, mas não conheço ninguém que não goste de dar uma boa gargalhada”, finaliza o radialista.
(Gustavo Aguiar/ Diário do Pará)
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