No dia 8 de dezembro de 1980, veio o anúncio de que o sonho havia acabado. Os Beatles nunca mais poderiam estar juntos novamente. John Lennon estava morto e a notícia se espalhou pelo mundo, chegando a cada fã e causando em cada um o misto de dor e descrença. Foi um dia que nenhum deles consegue esquecer. Isso inclui muitos paraenses, que de alguma forma ainda prestam sua homenagem e mantêm viva a história do quarteto de Liverpool.
“Eu tinha 21 anos de idade. Trabalhava em uma empresa pela manhã e todos sabiam como eu era louco pelos Beatles. Cedo, no dia 9 de dezembro de 1980, já havia dado nos noticiários sobre a morte dele, mas eu não tinha visto. Todos estranharam quando eu cheguei para trabalhar e não comentei nada. Foi um colega quem chegou comigo e perguntou se eu não sabia que John Lennon tinha morrido. Larguei tudo e fui pra casa”.
“Por incrível que pareça, saí para o estágio de manhã ouvindo uma fita com músicas do John Lennon no carro. Tudo já tinha ocorrido na noite anterior, mas eu não sabia de nada. Quando cheguei em casa, depois das duas da tarde, foi meu pai quem disse: ‘Senta que vai ter uma notícia ruim’. Ele perguntou se eu sabia que assassinaram o John Lennon. Na hora, pensei que era sacanagem, liguei a TV e o jornal já tinha acabado, estava em um programa de esportes, havia um jogo do time do Liverpool com outro inglês e o apresentador estava falando que ‘o nosso maior ídolo havia partido’, ‘que Deus o tenha’, e coisas assim. Foi um horror”.
“O Gerson (Nogueira) era muito fã, assim como eu. Naquela época não havia internet, então ele apenas recebeu a informação por alto na redação do jornal onde trabalhava e me ligou dizendo: ‘Tô aqui com uma notícia: parece que o John Lennon foi assassinado’. Uns dez minutos depois ele ligou novamente e confirmou a informação. Ele era um ídolo e, quando um ídolo se vai, morre uma parte da gente”.O primeiro depoimento é de João Cardoso, proprietário do bar The Beatles; o segundo é de Tom Menezes, baterista da banda cover Beatles Forever; e o terceiro é de Edgar Augusto, criador da coluna e do programa de rádio “Feira do Som”. Em comum, todos continuam fãs, do tipo que usam camiseta e ainda escutam Beatles no vinil e na fita K-7, além de manter as músicas de John Lennon e sua banda como parte de suas vidas profissionais.
“Eu já tinha algumas bandas e tocava músicas dos Beatles naquela época, mas foi depois da morte do John que eu e meus amigos começamos a ouvir e a tocar muito mais, foi daí que realmente veio o impulso para formar a Beatles Forever”, conta Tom, que assistiu a todos os noticiários daquela semana e até a um especial sobre o ídolo britânico na companhia do antigo parceiro de banda, Carlos Reimão. “A gente assistia e chorava, foi uma semana horrível”, diz.
Comprar todas as revistas da época também foi algo em comum, assim como compartilhar com os amigos a notícia. “Passamos uma semana ouvindo Beatles”, lembra João. A forma trágica da morte também, acreditam, foi decisiva para o impacto. Por volta das 23h do dia 8 de dezembro de 1980, uma segunda-feira, o músico retornava com Yoko Ono de um estúdio de gravação e, na entrada de sua residência, o Edifício Dakota, em Nova York, Mark David Chapman, que se declara um fã dos Beatles, sacou um revólver e efetuou os disparos contra Lennon.
“Foi diferente do que ocorreu quando George Harisson morreu, por exemplo, porque já havia internet e a gente sabia que ele estava doente. Pudemos acompanhar seu estado de saúde. Com John, eu havia acabado de receber pelos Correios, enviado pela gravadora dele, um rolinho com uma música de seu álbum mais recente, o ‘Double Fantasy’. A música era ‘Starting Over’, que eu tinha copiado do rolinho para uma fita K-7 e ia escutando no carro no dia que soube da morte dele. Aquele álbum era uma esperança, lançado após cinco anos que John estava parado e, de repente, a morte”, lamenta Edgar Augusto. Naquele dia, o radialista pediu apenas para não trabalhar à tarde, mas não teve muito tempo para chorar. Fez seu papel de fã e de comunicador, e ajudou através de seu programa de rádio a informar os demais fãs que o autor de “Imagine” havia partido.
(Diário do Pará)
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