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Filme mostra como música e educação podem salvar

Em “Orquestra dos Meninos”, um professor usa a música para mudar a realidade de adolescentes no sertão nordestino, criando uma orquestra que os dá perspectiva de vida e de transformação daquele cenário árido. Passam-se 20 anos e em “Tudo Que Aprendemos Ju

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Em “Orquestra dos Meninos”, um professor usa a música para mudar a realidade de adolescentes no sertão nordestino, criando uma orquestra que os dá perspectiva de vida e de transformação daquele cenário árido.
Passam-se 20 anos e em “Tudo Que Aprendemos Juntos” volta à tela dos cinemas os mesmos ingredientes – um professor, uma orquestra, a música mudando a realidade de jovens -, contextualizado, sim, em outro cenário – uma São Paulo urbana, de periferia, violenta - mas com um detalhe ainda significativo que os diferencia: no primeiro, de de 1995, a principal mudança está nos jovens; no segundo, quem se modifica é o professor - e, coincidentemente, o diretor do filme.

“Comecei a me enxergar no personagem do Lázaro Ramos e a transformação do personagem é, também, a minha”, explicou Sérgio Machado, durante o lançamento para a região Norte do filme, realizado semana passada em Palmas, capital do Tocantins, abrindo oficialmente o “I Ciclo de Debates e Capacitação Audiovisual no Tocantins”.
Entre a realidade e a ficção, o filmeCRÉDITO DE FOTOFilme encerrou o Festival de Locarno, na Suíça, e já foi vendido para 25 países

O filme é, sim, um sopro de esperança, e isso é proposital. “O Brasil vem de uma sequência de sucessos em cinema como ‘Tropa de Elite’, ‘Cidade de Deus’ e ‘Carandiru’ que colocam o dedo na ferida da sociedade. Eu queria um filme mostrando que existe isso sim, mas também há pessoas que estão fazendo algo legal pelo país”, explicou Sérgio Machado, na sessão de estreia do filme em Palmas.

Aclamado diretor de “Cidade Baixa”, ele revelou que este é o primeiro roteiro cuja ideia não partiu dele próprio. É, na verdade, desenvolvido a partir de uma peça de Antônio Ermírio de Moraes sobre a história verídica da formação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Depois de muito pensar, Sérgio topou o desafio - “Sou filho de músicos, é um tributo aos meus pais”, disse -, porém criou uma obra totalmente nova e com a sua assinatura.

“A ideia central da peça, de que a educação transforma, foi mantida. O resto a gente mudou completamente. Chamei a Maria Adelaide Amaral, que escreve novelas para a Globo, e ela construiu o alicerce central do roteiro. Também somamos histórias reais”, explica.

Ao somar à equipe a renomada preparadora de elenco Fátima Toledo, trouxe um realismo à cena extraindo a verdade pessoal do elenco, formado em grande parte por não-atores. “Gosto de trabalhar entre realidade e ficção. Muitas cenas não são ensaiadas e a gente fazia no improviso. Eu dizia, por exemplo, para o Lázaro: “Vai e grita com aquele menino, que era o mais tímido da orquestra, que travava de susto. Aí a cena saía. Muitas passagens são de um registro pessoal, me interessa essa provocação aos atores”, explicou.

Kaique de Jesus, que faz um dos personagens centrais da trama, viveu isso na pele. “A cena em que brigo com meu pai foi difícil, porque na vida real vejo meu pai como herói. No final da cena estouramos um champanhe para comemorar”. Para Elzio Vieira, outro destaque do elenco, a cena mais difícil foi a última. “Era a última cena, no último dia de filmagens, e dia do meu aniversário. Na minha cabeça, ali, só pensava nas amizades que iam, as que ficavam, e isso transpareceu na cena”, disse o jovem.

Foi graças à Fátima Toledo, aliás, que o diretor superou uma crise pessoal diante do roteiro. “Tem um dia em que o filme nasce. Mas, nesse caso, o filme se fechou. Saí de um ensaio em crise, desesperançado, pensando que aqueles jovens de 20 e poucos anos haviam sofrido coisas que eu não havia sofrido a minha vida inteira. Travei geral, me desesperei. Então pensei que eu não daria conta. Voltei e, no dia seguinte, a Fátima inverteu o ensaio, fazendo com que os meninos mostrassem seus talentos pessoais para mim. Assim o Elzio mostrou que era um exímio dançarino e eu levei isso para o filme. Outra menina que aparece na orquestra cantando também foi revelada ali. Aquilo me encheu de esperança”.

DESAFIO

O filme, que fechou o Festival de Locarno, na Suíça, em uma sessão para 9 mil pessoas, já foi vendido para 25 países, mas ainda vive o desafio de ser visto no próprio país onde foi produzido. Uma das estratégias foi, exatamente, separar o lançamento nacional desse para a região Norte, levando diretor e atores a Palmas para aproximação com o público. “É um paradoxo. O filme caiu no gosto da crítica internacional, foi imediatamente vendido para França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos, as pessoas andam falando em Oscar, mas o desafio é aqui no Brasil ser lançado entre ‘Jogos Vorazes’ e ‘Star Wars’. É ridículo o volume de dinheiro de um Blockbuster se comparado com o que a gente tem”

(Esperança Bessa/Diário do Pará)

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