No início, teve gente chegando timidamente e gente já ensaiando uns passos bem anos 1980, do tipo “Embalos de Sábado à Noite”, quando baixa o espírito de John Travolta e não há quem se segure. Mas, exatamente às 23h, o VJ Kleber Barros conseguiu fazer todos viajarem no tempo logo nas primeiras notas totalmente reconhecíveis – mesmo aos mais jovens – de “That’s The Way (I Like It)”, do grupo K.C. and The Sunshine Band. Assim a festa “Hot Classics” – em sua última edição de 2015 – passou a caminhar de hit para hit. De Michael Jackson e sua “musiquinha de abertura do ‘Vídeo Show’” (Don’t Stop ‘till You Get Enough), como alguém do público definiu, até Stephanie Mills com sua “Never Knew Love Like This Before”, em um videoclipe típico daquela década, também, com foco na coreografia da cantora.
Outra que fez a alegria do público foi Sônia Evans, convidada da edição anterior da “Hot Classics”, que teve direito a videoclipe e imagens filmadas em suas duas passagens por Belém: uma na década de 1990, dando entrevista para rádios, e até aparecendo em um programa matinal da Xuxa e mandando beijos para Belém, e a outra, este ano, quando, de vestido tubinho prateado, mostrou que ainda sabe animar o público paraense. O fundo musical era “You’ll Never Stop Me Loving You”, com videoclipe cheio de coreografia e efeitos quase psicodélicos da década de 1990.
Os mais esperados da noite, o grupo norte-americano Village People – que conseguiu inclusive ter na plateia um fã vestido como um operário – chegou sob olhares curiosos de todos e com muitos aplausos. Esperava-se que abrissem com um de seus dois maiores clássicos: “YMCA” ou “Macho Man”. Deixaram que elas viessem um pouco depois, o que foi bom porque assim o público primeiro passou pelo processo de reconhecimento.
Ray Simpson, o “policial”, foi impactante. Mesma voz, mesma simpatia, mesmo sorriso. Parecia ter saído diretamente do videoclipe de YMCA para o palco da “Hot Classics”, no Hangar, e até arriscou bater um papo com o público em inglês mesmo. O “motociclista” Eric Anzalone ainda ensaiou para a entrada um “Todo bein?”, que deixou a plateia bem animada. Só não mais animada que com a performance cheia de sensualidade.
E bem que os integrantes mais jovens, o “operário” Bill Whitefield e o “caubói” Jim Newman, quase roubaram a cena com poses e muito rebolado para o público feminino. Mas quem ganhou o público mesmo no quesito dança sensual foi o “índio americano” Felipe Rose. Integrante do grupo desde a sua criação, Felipe falava diretamente com as mulheres à beira do palco, esnobava o físico sarado que competia com o seu e divertia pela sua própria disposição em se divertir no palco cantando e dançando.Antes e depois deles, Rogério Cunha, de 48 anos, dançou sem parar. O contador, que declarou ir a “todas as festas Hot Classics”, fazia coreografias como um aprendiz de Michael Jackson. E nem quando a turma do “Paranoia”, programa humorístico da RBA TV, passou por ali com o apresentador Magela vestido de “guarda” e querendo filmá-lo, ele deu uma paradinha. Parecia realmente esperar há muito tempo por uma festa como a “Hot Classics” para pôr seus passos de dança de muitas décadas em dia.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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