A infância de Felipe Cordeiro foi em meio a instrumentos musicais, artistas, cantores, compositores, estúdios de música e bastidores de grandes CDs, que seu pai, Manoel, produzia e gravava. Viveu toda aquela efervescência que o brega e a lambada construíram em Belém nas décadas de 1980 e 1990. Hoje, com cerca de seis anos de carreira, o músico paraense grava seu primeiro DVD na capital, com as participações do produtor Kassin, o músico pernambucano Siba, a cantora Tulipa Ruiz e o irmão e produtor Gustavo Ruiz, além da parceria especial de Manoel Cordeiro.
O registro, vencedor no edital Pará da Natural Musical, documenta um momento especial na carreira de Felipe. Morando há dois anos e meio em São Paulo, o músico percorre todo o Brasil se apresentando em festivais de vanguarda e shows especiais, tecendo conexões que só aumentam sua bagagem cultural e sua visão sobre a cena contemporânea brasileira, o que mais inspira a música que ele faz, um “pop tropical” com assinatura própria materializado em dois CDs - “Kitsch Pop Cult” (2012) e “Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor” (2013).
A trajetória de sucesso colocou o artista como um dos mais aclamados e bem conceituados da cena contemporânea que cria uma nova face para a música brasileira. A música “Problema Seu” foi eleita como a melhor de 2013, de acordo com a revista “Rolling Stone”. E, de lá até hoje, novas oportunidades e parcerias se abriram para o paraense, como o duo com Tulipa Ruiz, que juntos criaram a “Virou”, música que integra o disco “Dancê”, terceiro de carreira da cantora e eleito como Melhor Disco Contemporâneo pelo Grammy Latino deste ano.
“A gente começou a colaborar timidamente. Eu abri um show dela, ela começou a dar uma canja no meu show, e a gente conversando sobre as coisas. Depois eu chamei a Tulipa para fazer uma música. E desse lance nasceu a canção ‘Virou’, uma parceria minha, dela, do irmão dela, Gustavo Ruiz, do meu pai, Manoel Cordeiro, e do pai deles, Luiz Chagas, grande guitarrista, mestraço da música brasileira”, explica Felipe, contando que estar ao lado de Tulipa Ruiz e tê-la no palco na gravação de seu DVD é um privilégio.
“Tulipa é uma artista dessa geração da música brasileira das mais primorosas. É uma artista fantástica que eu admiro desde a primeira vez que eu a vi, uma estrela que cresce a passos largos e que tem pouquíssima gente desse nível, que faz um trabalho muito caprichado, com muito talento e muita entrega”, elogia.
Um dos produtores do segundo disco de Felipe, o paulista Kassin, também sobe ao palco na noite desta quinta-feira para participar da gravação. A irreverência pop de Siba, ascendente artista pernambucano, também faz parte da festa, no objetivo de passear pelo que mais intenso e vivo a música brasileira apresenta neste momento.
Nova música brasileira
O que inspira e energiza o arte que corre pelos dedos ágeis de Felipe Cordeiro é ver e fazer parte da construção de uma nova música brasileira, que circula de Norte a Sul do País, num sistema onde o que é mais interessante é a desconstrução cultural e a multiplicidade de sons.
“Essa geração da música brasileira é muito particular. Até a década de 1980, meio dos anos 1990, você vivia um Brasil muito centralizado num país de narrativas muito grandiosas, sobre o que vinha ser a identidade do nosso povo e a sonoridade nacional. E, de repente, você começa a ver vários Brasis tendo voz. É nessa leva que eu, como artista do Pará, começo a falar, de igual para igual, com artistas de outros lugares, soando um referencial novo de música e identidade brasileira”, analisa Felipe Cordeiro.
Para o artista, o sinônimo de felicidade com a carreira é viajar por diversas cidades do Brasil mostrando e se inspirando na música e cultura nacional. “A minha música é um grande ensaio sobre o Brasil contemporâneo, de um jeito próprio, porque não é uma música demasiadamente conceitual. É dançante, mas que é o tempo todo trabalhado com esse olhar”, explica o artista. Olhar e viver a vanguarda, muito mais do que se inspirar na máxima de ser um grande artista, como tocar violão como Edu Lobo e ter o saber de Gilberto Gil, o que já foram desejos do músico paraense. “Quando fui aprendendo que eu tinha um mundo novo para descobrir a partir do meu lugar, a partir de mim, a partir dos meus pares de geração, isso foi uma grande revelação para mim. E eu comecei a mergulhar nisso”, finaliza.
Serviço
Participe Gravação do DVD de Felipe Cordeiro
Quando: Hoje, a partir de 22h
Onde: LaMusique (Municipalidade, 488)
Ingressos: R$30
Informações: (91) 3224-8948
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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