O nome já é bem representativo: “Paris do Sol 400 anos – A Belém que a Gente Não Viu”. A nova exposição marca o início das comemorações promovidas pelo Banco da Amazônia pelo aniversário da capital paraense,retomando um de seus períodos mais saudosos, a Bélle Époque, quando Belém era a “Paris dos Trópicos”, uma Belém que não existe mais a não ser em registros fotográficos, arquitetônicos e artísticos. O vernissage ocorre hoje, às 18h30, no Espaço Cultural do banco.
Fazer o gate de alguns desses registros históricos e artísticos é o que propõe a mostra, composta por imagens de domínio público das paisagens urbanas da capital paraense na virada do século 19 para o século 20, transformada em murais artísticos de Mauro Barbosa, Téo Lima e Adriana Gurjão, além de azulejos da Bélle Époque da coleção de Vânia Bispo, do Antiquário dos Azulejos, e pinturas em nanquim do engenheiro civil e desenhista Gustavo Affonso Bolção Vianna, já falecido, cujas obras pertencem ao acervo de Affonso Vianna Neto.
“A ideia foi a de desvelar a histórica paisagem urbana de Belém em um período marcado pela profusão econômica proporcionada pela exportação do látex”, descreve a artista visual e curadora da mostra Catalina Murchio. Os estudos de imagem realizados por ela envolveram coleções fotográficas, textos e jornais da época.
Após a pesquisa, a artista visual convocou Mauro Barbosa para assumir a reprodução de algumas imagens. “Geralmente pego fotografias de arquivo público e vou recriando paisagens da Belém antiga, inserindo azulejos em alguns momentos, um pouco da ‘art nouveau’, do comportamento das pessoas, do vestuário de época”, conta Mauro.
A técnica empregada pelo artista junto com seus dois convidados, Téo Lima e Adriana Gurjão, é aerografia, que utiliza pistolas dando pequenos jatos de tinta, e pigmentos específicos de envelhecimento remetem às fotografias que serviram de base para suas criações.
Foram criados dois murais: um que retrata o Café da Paz e a história do prédio sede do Banco da Amazônia, vizinho ao Theatro da Paz, na avenida Presidente Vargas, e que já passou por três transformações arquitetônicas. No outro mural, vemos a continuidade da Presidente Vargas, dessa vez, com os bondinhos, os comércios locais e pessoas a passear e conversar.
Outro destaque da mostra são azulejos da coleção de Vânia Bispo, do Antiquário dos Azulejos. “Fiz o convite a ela por saber da belíssima coleção de azulejos alemãs, franceses e portugueses que ela possui e que retratam bem a Bélle Époque”, conta Catalina Murchio. As peças serão acompanhadas de referências da pesquisa de Vânia, que também estarão presente no catálogo com o qual os visitantes da mostra serão presenteados.
E em uma segunda parte da galeria estará pinturas em nanquim de Gustavo Affonso Bolção Vianna, desenhista já falecido. “O Affonso Neto é funcionário do Banco da Amazônia e foi feito o convite para que nos cedesse alguns desenhos do pai para a mostra, algo muito valioso, pois ele era um excelente desenhista que retratou paisagens e arquiteturas muito importantes para a história da cidade”, destaca Catalina.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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