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Trio promove experiência de arte sonora em Belém

HOJETrio promove experiência de arte sonoraRenato Pinheiro/DivulgaçãoFxLAIS AZEVEDOTrês compositores paraenses se uniram para realizar o projeto “Música de Experiência”, uma proposta voltada para o conceito de “Arte Sonora”, mesclando instalação e perform

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HOJE

Trio promove experiência de arte sonoraRenato Pinheiro/DivulgaçãoFx

LAIS AZEVEDO

Três compositores paraenses se uniram para realizar o projeto “Música de Experiência”, uma proposta voltada para o conceito de “Arte Sonora”, mesclando instalação e performance, além de ter como elo a sonoridade da poesia de Max Martins. O projeto foi contemplado com uma das 30 bolsas de criação, experimentação, pesquisa e divulgação artística da Fundação Cultural do Pará, e terá sua primeira apresentação ao público dentro da Mostra Circuito das Artes. A instalação/performance inicia às 18h, mas as sessões ocorrem numa média de 20 em 20 minutos, em que o público pode determinar a ordem das salas que deseja experimentar.

“Nós queríamos trabalhar com algum elemento extramusical que desse unidade ao projeto, que orientasse de algum modo o projeto dos três”, explica Cibelle Donza, sobre a presença poética em sua parceira com Carlos Pires e Judson Brito.

A artista destaca ainda que a escolha pela poesia de Max Martins se deu por ser sonoramente bem marcante. “Ele trabalha com elementos como minimalismo e se volta muito para a questão do silêncio também. Tudo isso sugere imagens sonoras ricas para nos inspirar, a rítmica das palavras, enfim...”, afirma Cibelle, que há algum tempo já vinha trabalhando com a inflexão das palavras como música.

A escolha da obra de Max Martins como fonte e elemento unificador das composições propostas diz respeito também às preferências pessoais dos proponentes do projeto, aos conteúdos sonoros e estéticos da obra poética desse autor, que parece resumir um enorme potencial para a exploração musical, “especialmente se for considerado que sua obra não corresponde a uma criação poética tradicional e conservadora”, afirma Cibelle.

Finalmente, acaba até parecendo óbvia a escolha de um autor que, entre tantos elementos citados, também era paraense, por se tratar de um projeto que nasce e aponta para a realidade local. Em cada ambiente onde será realizada a instalação/performance estará um compositor, tendo cada um escolhido um ou mais poemas como inspiração.

Cada ambiente será cuidadosamente preparado por um compositor que, se valendo das estéticas e técnicas das linguagens musicais contemporâneas, desenvolvidas a partir do século 20 - tais como música eletroacústica, música concreta, eletrônica, total sonoro, música aleatória, indeterminada, atonal, paisagem sonora, acusmática, entre outras -, vai proporcionar, num contexto dinâmico, atmosferas e experiências sonoras únicas ao público.

“O próprio receptor poderá determinar a organização temporal e/ou mesmo espacial de suas percepções, da mesma maneira que em uma exposição de arte visual, estando a arte sonora localizada na fronteira entre música e artes plásticas”, considera Carlos Pires. Para o enriquecimento das experiências sonoras, as composições vão dialogar com outros meios, ao utilizar recursos sensitivos, táteis, visuais, sensações térmicas, entre outros.

Todos os compositores uniram-se para a realização do projeto, também por já possuírem, individualmente, um trabalho voltado para as abordagens pós-tonais na criação musical. Eles resolveram, então, formar um grupo que garantisse a dedicação à proposta de “arte sonora” realizada, bem como a continuidade de pesquisas em música experimental fundamentada.“Isso reafirma o compromisso com uma arte musical ampla e abrangente, na tradição de uma concepção musical diferenciada na cidade de Belém, colaborando para a ampliação de experiências musicais da população paraense e para a construção de uma cena musical erudita contemporânea”, destaca Carlos Pires.

VEJA

Apresentação do projeto “Música de Experiência”
Quando: Hoje e amanhã, das 18h às 20h
Onde: Escola de Música da UFPA (Av. Conselheiro Furtado, 2007, Cremação)
Quanto: Entrada franca

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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