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Marujada chega a 217ª edição com 80 mil visitantes

Em 1798, quando a primeira Marujada de Bragança foi realizada, ainda faltavam cem anos de escravidão para serem vividos no Brasil. Naquele ano foi fundada a Irmandade de São Benedito, após a autorização dada aos senhores dos escravos para realizar a manif

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Em 1798, quando a primeira Marujada de Bragança foi realizada, ainda faltavam cem anos de escravidão para serem vividos no Brasil. Naquele ano foi fundada a Irmandade de São Benedito, após a autorização dada aos senhores dos escravos para realizar a manifestação em homenagem ao santo preto.

E é a mesma irmandade que ainda hoje organiza a festa. Depois de uma intensa batalha com a igreja católica pela missão de realizar o evento, um acordo foi travado para compartilhar a organização da festa cristã, mas também popular e cultural. Em torno das orações ao santo padroeiro, música, dança e tradição cultural vêm sendo mantidas há mais de duzentos anos.

Hoje, a festa atrai cerca de 80 mil pessoas de Bragança e municípios vizinhos. De acordo com João Batista, o “Careca”, atual presidente da Irmandade, enquanto a igreja católica cuida das missas, quermesses, procissões e novenas, à Irmandade cabe a responsabilidade pelas alvoradas, as cavalhadas e manifestações culturais em homenagem à São Benedito.

Fé e identidade cultural se confundem, levadas adiante pelas “marujas”, tanto as de devoção, como explica Careca, que participam da festa para pagar promessas e pedir graças ao santo, quanto as marujas “que gostam de dançar”, ele define, que participam pela música e dança tão características da Marujada de Bragança.

A atual diretora de Cultura da Prefeitura de Bragança, Luciana Lemos, consegue enxergar uma movimentação regional por conta da festividade. “A Marujada, como maior expressão cultural de Bragança, é de fundamental importância para os bragantinos e consequentemente para a região bragantina onde se espalhou com o passar dos anos, chegando a Capanema, Tracuateua, Augusto Corrêa e Quatipuru. É talvez, junto com a “farinha de Bragança, o que mais nos marca, o que mais nos representa como bragantinos”, comenta Luciana.

(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)

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