Tudo começou quando as artistas Marina Quinan e Juliana Balsalobre decidiram criar um projeto, em 2006, que objetivava viajar pelo Nordeste e Norte trabalhando em pequenas comunidades brasileiras, desenvolvendo estudos de linguagens, histórias, diferenças e semelhanças do povo do Brasil. Poucos anos mais tarde, a dupla encontrou Alter do Chão, vila pertencente ao município de Santarém e, desde 2009, promove por lá trabalhos cênicos. Neste domingo (27), as duas, que se intitulam Las Cabaças lançam um novo projeto, dessa vez literário.
O gibi “A Primeira Aventura” foi produzido por elas, em parceria com a ONG Namazônia com patrocínio do Banco da Amazônia. “Nesses dez anos de trabalho, vivenciamos coisas que queremos contar para as pessoas: palavras que mudam de região para região, meios de transporte, dificuldades que a população vive diariamente, talentos que o povo tem, as festas populares... e tentamos fazer esse registro com fotos e vídeos, mas o gibi é uma linguagem que combina muito com o universo do palhaço, onde é possível fazer coisas impossíveis e criar realidades fantásticas. Crianças adoram ler gibis e palhaços adoram crianças!”, explica a palhaça Marina Quinan.
Os mil exemplares impressos serão distribuídos entre as famílias de Alter do Chão e doados para bibliotecas públicas do estado. Por enquanto, ela avisa, o público em geral terá de esperar uma nova tiragem. “A Primeira Aventura” conta a história das duas, desde quando saíram de suas cidades e decidiram percorrer e conhecer pequenas comunidades, como a da vila santarena. “Já temos muitas histórias guardadas para os próximos gibis. Pretendemos, antes de mais nada, apresentar a realidade amazônica tão pouco conhecida no Sul e Sudeste do Brasil, através das histórias das comunidades ribeirinhas, cada qual com suas características e valores próprios, além de desejar, com isso, que as pessoas que encontramos sintam-se representadas e valorizadas”, explica a artista.
Sotaques
A matéria prima do teatro e, em especial da arte da palhaçaria, são as pessoas, seus sentimentos e o que formam sua identidade. Por conta disso, viajar e mapear os sotaques das vivências nos pequenos pontos do país fascina e alimenta o trabalho da dupla. “Neste convívio está tudo que buscamos para redescobrir a graça e o palhaço junto ao povo brasileiro”, declara Marina. O encanto dos amazônidas foi o que tocou os corações piadistas dessa dupla. “Decidimos ficar aqui para aprofundar nossos conhecimentos sobre a problemática e realidade amazônica, para estar mais perto das localidades onde trabalhamos com mais frequência. Nesse tempo pudemos fazer palhaçadas na rádio comunitária, no posto de saúde, na festa do Sairé, nas escolas, nas praças, aniversário de crianças, de idosos, e acabamos formando um público que é nosso parceiro para tudo que realizamos. São pessoas que nos dão retorno do que gostam ou não, que participam, que comparecem. Acredito que eles sabem que têm na vila uma dupla de palhaças prontas para atender a todo tipo de convite”, avisa.
Os próximos passos são ampliar os trabalhos com o gibi e permanecer desenvolvendo espetáculos, comemorando os dez anos de atividades da Las Cabaças, reunindo, além do teatro, as linguagens de foto e vídeo que o duo também explora.
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar