Ele foi o grande destaque do ano quando o assunto é literatura. A obra do paraense Edyr Augusto foi elogiada em vários jornais brasileiros e de outros países. Ele teve livros editados no Peru, México e Inglaterra. Na França, foram três romances publicados nos últimos dois anos: “Os Éguas”/”Belém” (2013), “Moscow” (2014) e “Casa de Caba”/ “Nid de Vipères” (2015). A tradução de “Os Éguas” ganhou o prêmio francês Caméléon de melhor romance estrangeiro este ano. E para 2016 ele ainda pretende muito mais para si e para literatura no Pará, tendo como aliada a Feira Literária do Pará (Flipa), da qual é um dos idealizadores.
A Flipa, que chegou à sua segunda edição este ano, avalia Edyr, foi um dos ganhos de 2015 para nossa literatura. O evento conseguiu se superar inclusive em vendas. Foram 1,2 mil livros vendidos, apenas de escritores paraenses. E a feira continua em 2016, garante o escritor. “Começamos a fazer a Flipa porque decidimos nos mexer depois de tantos anos dessa política de dizimação, fazendo frente a uma feira promovida pelo governo [do Estado, a Feira Pan-Amazônica do Livro] que é uma farsa”, comenta Edyr.
Este ano, o ganho também esteve na adesão massiva de escritores paraenses ao evento, que deixou de ser feito apenas pelo grupo pequeno que o propôs. “Muitos estiveram lá e em dois dias, houve esse recorde de vendas. Imagine como seria se o governo realmente investisse em literatura, criando um mercado. Os escritores estão aí, o Pará é imenso, precisava fazer um trabalho em cidades polo, fazendo o que a Flipa faz: relançando os livros que estão fora do catálogo e lançando novos escritores, promovendo até a abertura de livrarias, que hoje, pelo contrário, só fecham”, afirma.
Para Edyr, o ano foi mais do que especial, “está sendo memorável”, diz ele. Na livrarias de Belém, seu último livro, “Pssica”, já vai se esgotando. A quantidade de eventos literários pelos quais passou em 2015 são até difíceis de contabilizar, incluindo o Salão do Livro de Paris, o Festival de Literatura Noir Quais du Polar, o Salon du Livre Les Mots Doubs, a Pauliceia Literária, a 9ª Feira do Livro de Caiena, na Guiana Francesa, e a Balada Literária de São Paulo, suas duas últimas viagens deste ano.
“A impressão que tenho é que os paulistas que deram início a essa coisa toda sobre ‘Pssica’ ficaram impressionados com o sucesso que fiz na França com três livros. Devem ter pensado que se foi premiado lá eu devia ser bom e começaram a prestar atenção nos meus livros. E esse sucesso feito em São Paulo, Rio, Minas, onde dei entrevistas para importantes jornais e recebi elogios, se reverteu nessa atenção que recebi em Belém, o que também se refletiu na Flipa”, acredita Edyr.
Esse sucesso, do escritor e da feira, ainda abre caminho para novos escritores, uma nova geração na qual Edyr aposta alto. Entre eles, Caco Ishak, com sua poesia, Andrei Simões e seus livros de terror, e Roberta Spindler e seus livros de ficção. “A grande dificuldade é estar em Belém, que é distante dos grandes centros, de bienais e festivais, desse circuito maior. É a questão de aparecer. Quando vou a São Paulo, eu recebo convites, participo de coletâneas. Depois de três meses, as pessoas não te enxergam mais porque você está aqui, distante”, afirma.
É nesse sentido que a política pública podia mudar o cenário para esses novos escritores, acredita o escritor. Para Edyr, a Feira Pan-Amazônica deveria ser o ápice de um trabalho do ano todo. “O crescimento seria notado de forma a sairmos dos limites paraenses e traria à tona uma literatura nova. O que não temos é uma gestão profissional. Temos algo totalmente alheio à realidade e necessidade dos nossos escritores”, declara.
ROMANCE PARA 2016
Por enquanto, a própria literatura de Edyr vai levando a Amazônia e seu cenário único para o mundo. Em um evento na costa da Bretanha, no palco, falando para cerca de 80 pessoas, após Patrícia Melo falar sobre o cenário de seus livros, o Rio de Janeiro, e Luiz Ruffato falar sobre São Paulo, Edyr apresentou Belém. “Quase todas as resenhas sobre meus livros falam que ele apresenta outro cenário, tem uma selva de concreto que se encaixa no meio, e o leitor francês é curioso. Agora mesmo chega em Belém o Casarim, jornalista da Folha que ficou louco para conhecer a cidade”, conta o escritor.
Entre as novidades para o próximo ano, “Pssica” vai à França e Edyr não pretende parar de escrever tão cedo, seja um novo romance – com boas chances de ser em torno de cassinos clandestinos em Belém –, seja para peças teatrais e sua coluna no DIÁRIO. “Minha editora diz: ‘Você precisa aproveitar o sucesso do ‘Pssica’ ainda, calma’. Estou calmo, mas sempre escrevendo”, conta ele, rindo. Por último, sem poder revelar muito, o escritor tem negociado propostas de filmes e minisséries baseados em vários de seus livros. De fato, um ano memorável.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar