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Com editais, cinema paraense busca consolidação

Diretora, roteirista, produtora e professora do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da UFPA, Jorane Castro foi destaque na cena cinematográfica do Pará em 2015. Isso porque chegou com uma novidade que há muito não se via por aqui: um longa-metragem de fic

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Diretora, roteirista, produtora e professora do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da UFPA, Jorane Castro foi destaque na cena cinematográfica do Pará em 2015. Isso porque chegou com uma novidade que há muito não se via por aqui: um longa-metragem de ficção genuinamente paraense. “Amores Líquidos”, um road movie de ficção que ela filmou em Belém e na estrada que leva até Salinas este ano e que agora encontra-se no processo de montagem de som. Seu lançamento é uma das novidades com as quais a cena artística da cidade já conta para 2016.

Jorane comenta esse hiato na produção de um longa paraense - o último foi “Brutos Inocentes”, de Líbero Luxardo, em 1974 – como um reflexo da cena atual e passada. “Mesmo que não tenha filmado um longa de ficção durante esse período, a gente filmou muito. Teve-se muito filme, na Amazônia e no Pará também. O problema é que as pessoas que fazem cinema são pessoas que trabalham como franco-atiradores, que trabalham sozinhas, não no sentido de não ter equipe, mas é um trabalho muito pessoal, autoral”, considera Jorane.

Para Jorane, isso seria o resultado da inexistência de algum tipo de política pública no estado ou qualquer outra instância regional que beneficie a produção. As possibilidades de fazer cinema são poucas, então os realizadores vão caminhando à espera de projetos, de editais, para que as filmagens aconteçam, considera a cineasta.

“O que foi produzido nesses últimos 30 anos no Pará, em sua maioria, foi feito através de edital. E a maioria desses editais são nacionais. Acredito que a partir de hoje, que existe uma política de financiamento audiovisual no Brasil através de leis, de editais com o Fundo Setorial da Ancine, temos a possibilidade de ter uma produção regular”, diz.

A importância disso, explica, seria a possibilidade de ter pessoas trabalhando só com cinema, de formar equipes com profissionais apenas daqui e com qualidade. “Você não pode formar uma categoria sem regularidade de trabalho, porque senão as pessoas se dispersam”, diz ela.

E produzir cinema dessa forma podia torná-lo um “hobbie”. “Estou ansiosa para que a gente comece a discutir estética, quais são as escolhas de um autor. A gente só discute produção, por que não foi feito tal filme, por que não se filma… Eu queria que a gente começasse a discutir qual é o melhor fotógrafo, qual é o ponto de vista dele. Quando chegarmos lá, isso vai provar que a gente já tem uma produção mais sólida. E posso te afirmar que isso vai se realizar em cinco anos”.

NOVO FÔLEGO

Além da própria Jorane, destacam-se na cena paraense deste ano o surgimento de alguns festivais produzidos e estrelados por universitários, como o Festival Audiovisual de Belém, o Osga e o Toró, com uma grande produção de curtas, principalmente universitários. E ela atesta, “o cinema de um lugar só começa a ser de fato reconhecido quando tem festival, porque eles são espaços onde as pessoas da cidade vão ver os filmes que são feitos ali”.

Mas desde a década de 1970 tem gente organizando festivais na cidade. O problema é que muitos não se mantêm. “A grande dificuldade dos festivais é conseguir passar do quarto, quinto ano. Existiram muitos festivais bons em Belém e espero que esse novos consigam. Cada um tem um perfil bem distinto, e que seja uma proposta justamente de ser esse espaço de discussão, onde a comunidade se projete e seja projetada, possa desfrutar. Acho que esses três em particular (FAB, Osga e Toró) têm um perfil bacana, porque são voltados para a produção daqui, dão prêmios para cá, têm mostras de filmes regionais. Eu torço pra que a gente tenha um grande festival em Belém. E como são diferentes, eu torço para que os três cresçam juntos. Não tem porquê existir rivalidade, acho que cada um pode se focar num tipo de filme, de público”, comenta Jorane.

Em paralelo, Belém também ganhou novos cineclubes, todos surgidos na academia. E nesse momento, afirma a cineasta, o cineclube é muito importante porque vai além das facilidades em baixar filmes da internet. “O cineclube te leva a encontrar pessoas e confrontar as ideias sobre um projeto com as pessoas que também gostam de cinema como você”, lembra.

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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