“Patrimônios (In)Visíveis”, projeto da fotógrafa Flávia Souza, nasceu da ideia de unir os seus estudos acadêmicos na área de Museologia, Memória e Patrimônio ao seu fascínio em fotografar na comunidade de Fortalezinha, na Ilha de Maiandeua – mais conhecida como Ilha de Algodoal –, Município de Maracanã. A mostra do resultado obtido ao longo desse processo de pesquisa, vivência e produção de conhecimento está a disposição da comunidade da ilha e seus visitantes até o próximo dia 7, no Bar e Restaurante Lokahi, a Casa do Carimbó de Fortalezinha.
O princípio da pesquisa, pode-se dizer, foi logo na primeira visita de Flávia ao local. “Isso foi em 2002 e fiquei muito apaixonada pelo lugar, até que isso coincidiu com meus estudos em fotografia, ministradas pelo Miguel Chikaoka, e em 2003 eu já vim com a intenção de fotografar”, conta a pesquisadora, que já está na comunidade há vários dias para a preparação e acompanhamento da mostra fotográfica, além de duas oficinas que serão ministradas a crianças da ilha.
“Quando entrei para o curso de Museologia foi que comecei a pensar em uma ideia que pudesse unir as duas coisas - memória e patrimônio - ao registro fotográfico”, explica. Contemplado com o IV Prêmio Proex de Arte e Cultura 2014, da Universidade Federal do Pará, o projeto foi posto em prática ao longo de 2015 pautado em dois processos distintos e ao mesmo tempo, integrados: investigações artística/experimental e acadêmica.
A fotografia neste caso, afirma Flávia, foi utilizada tanto como forma de expressão artística, de seu olhar como fotógrafa, e reflexão acerca da diversidade cultural do lugar, quanto registro documental dos patrimônios eleitos pela própria comunidade de acordo com suas heranças culturais, memórias e símbolos gerados pela cidade. “Fui fazendo entrevistas, e questionando que símbolos existem na cidade que a representam. Estava indo por um trabalho de memória de pessoas que são mais antigas na ilha, coisas que permeiam suas vidas e histórias, como a praia – como era e como é hoje –, a pesca…”, cita.
Entre as memórias coletadas está a formação do centro histórico, a cerâmica, espaços diversos. Como colaboradores importantes e integrantes da história da ilha, alguns dos entrevistados estão representados entre os 12 painéis da mostra. São memórias como a da parteira Conceição Teixeira Modesto, de 80 anos, que “pegou” 178 filhos, e não se perde na contagem.
VISITE
Projeto Patrimônios (In)Visíveis – A Fotografia Documental como Processo de Investigação Artística
Visitação: Até o dia 7
Onde: Bar e Restaurante Lokahi (Casa do Carimbó de Fortalezinha - Ilha de Maiandeua, Maracanã
Quanto: Gratuita
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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