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Grupo Cuíra de casa nova e projetos renovados

O ano de 2015 foi muito intenso para o Grupo Cuíra, que começou com o fechamento de seu teatro, na rua Riachuelo, um projeto que durou nove anos e lhes rendeu muito aprendizado e grandes conquistas. Em seguida, encontrou um novo lar, a Casa Cuíra, na Cida

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O ano de 2015 foi muito intenso para o Grupo Cuíra, que começou com o fechamento de seu teatro, na rua Riachuelo, um projeto que durou nove anos e lhes rendeu muito aprendizado e grandes conquistas. Em seguida, encontrou um novo lar, a Casa Cuíra, na Cidade Velha, onde estrearam “Esse Corpo que me Veste”, com dramaturgia de Edyr Augusto, direção de Wlad Lima e as atrizes, Olinda Charone e Zê Charone. Ainda neste ano, puseram em prática o “Auto do Coração”, apresentado em um ônibus. Tudo noticiado no caderno Você, e agora comentado aqui por uma de suas integrantes, Zê Charone, que ainda adianta um pouco da agenda de 2016 do grupo.

Uma das notícias mais marcantes sobre teatro paraense em 2015 foi o fechamento do Teatro Cuíra. O que a perda desse espaço significou e o que ficou de bom?
Só ficou coisa boa. Depois que você desmonta o circo e segue em frente só ficam coisas boas. E hoje recomeçamos, ganhamos novo fôlego, um respiro, com esta nova casa. Além disso, já tínhamos o projeto aprovado para um espetáculo de rua, bem quando estávamos mesmo na rua (risos). E muito do que vivemos lá também veio conosco, como atrizes que conosco encenaram naquele espaço, a Leila Barreto, por exemplo, e hoje atuam e colaboram com os espetáculos regularmente.

De repente a notícia era que havia um espaço novo. Não mais teatro, mas a casa do Cuíra. Como chegou este novo espaço e como tem sido instalar ali novas produções?
Quando a gente começou os ensaios para o espetáculo seguinte, “Esse Corpo que me Veste”, foi na casa, que fica na Dr. Malcher, na Cidade Velha. Abrimos uma sala onde recolocamos as energias. O projeto é fruto de uma pesquisa da Olinda Charone sobre Teatro Litúrgico e com ela estreamos a casa como nosso novo espaço (em 08 de dezembro). E foi muito joinha, tanto que a gente já está agendado para retomar este espetáculo em março de 2016. Ele tem uma argumentação sobre religiões, assunto muito discutido hoje em dia.

Com o “Auto do Coração” o Cuíra provou mais uma vez a versatilidade e criatividade para lidar com novos formatos, e a construção em grupo. Como foi chegar a essa ideia?
A gente realmente trabalha muito em conjunto. Quando o “Auto do Coração” foi contemplado pela Funarte com o Prêmio “Myriam Muniz” ele era pensado sim como um espetáculo de rua, a gente queria levar para fora o que acontecia do lado de dentro do Teatro Cuíra, já que as pessoas já não estavam mais indo tanto, e ir pra rua era ir ali para a esquina, na Riachuelo. Depois, essa ideia evoluiu com cada atriz escolhendo um lugar para a presentar o seu texto, até que alguém disse: “Quero fazer o meu dentro de um ônibus”. E a gente pensou nessa nova formatação.

Da cena teatral como um todo, em Belém, o que foi destaque para você no ano passado?
Acho que se destaca na cena de 2015 todos os grupos que conseguiram se apresentar apesar de todas as dificuldades, todos esses artistas persistentes; assim como os espaços que nem são teatros ou algo assim, como a loja Da Tribu, mas que abriram suas portas para receber pequenas montagens; gente que se apresentou em porões e onde foi possível. Para o Cuíra, eu diria que foi um ano incrível. Perdemos o teatro porque a própria cidade não estava conseguindo comportar um espaço como ele, mas ganhamos a casa na Cidade Velha e um espetáculo com o qual estamos loucos para circular por outros estados (o “Auto do Coração”).

Vocês deixaram escapar uma possível novidade para 2016, uma tal “Poética Criatura - Laboratório de Teatro de Porão (subterrâneo)”. Projeto novo? E o que mais podemos esperar do grupo para 2016?
Logo no final do mês janeiro já devemos voltar com o “Auto…” para uma temporada de duas semanas, saindo do mesmo local com o ônibus (em frente ao Theatro da Paz), e a intenção – até pela própria formatação dele – é circular com ele em outros lugares, seria só alugar um ônibus e montar um roteiro. A resposta do público desde o nosso “teste drive” foi muito bom. E ainda temos planos para por em prática o “Teatro de Porão”, que na verdade é um projeto da Wlad Lima. A casa onde estamos tem um porão, mas ele ainda não está em condições de uso. Lá pelo meio do ano a gente deve abrir ele e dar início a esse projeto também. É tanta coisa! E pra gente está ótimo assim!

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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