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Exposição reúne 35 anos de obras de Chikaoka

Desde que se instalou em Belém, na década de 1980, Miguel Chikaoka iniciou uma trajetória marcada pela fotografia. Não só como fotógrafo, mas também como um dos mais destacados professores desta arte no país, exercendo uma grande influência sobre várias g

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Desde que se instalou em Belém, na década de 1980, Miguel Chikaoka iniciou uma trajetória marcada pela fotografia. Não só como fotógrafo, mas também como um dos mais destacados professores desta arte no país, exercendo uma grande influência sobre várias gerações de artistas paraenses. Agora, um recorte desta longa jornada compõe “Travessias”, sua nova exposição individual, que será aberta hoje, às 19h, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas.

Com curadoria de Marisa Mokarzel, a mostra celebra a aquisição de 43 obras de Chikaoka para o acervo da instituição, viabilizada através da 7ª edição do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, da Funarte, pelo qual o artista foi contemplado em 2014. “Foi um presente. O prêmio vem de uma instituição de certa tradição na cena artística brasileira. Além disso, a Marisa foi a responsável pela pesquisa do livro ‘Navegante da Luz’, sobre meu percurso de vida e trabalho, e acho que essas coisas vão se somando”, afirma Chikaoka.

Além da aquisição através do prêmio, o fotógrafo fez a doação de mais 13 obras, para completar a coleção que ocupará três espaços dentro da Casa das Onze Janelas: o Laboratório das Artes, a Sala Valdir Sarubbi e a Sala Gratuliano Bibas. “A Marisa fez uma leitura sobre as minhas obras, suas escolhas, e considerou importante para esse desenho da minha trajetória que algumas obras a mais fossem incluídas; e eu concordei doando essas peças. Era uma questão de consistência desse conteúdo”, comenta Chikaoka.

Segundo a curadora, o critério de seleção caracterizou-se pela diversidade de elementos. “Trazem tanto o aspecto poético da imagem como demarcam o papel de propositor assumido por Chikaoka, que em sua vivência artística sempre deixa o canal aberto à experiência e propõe obras em processo, articuladas com a quebra de fronteiras entre arte, educação e vida”.

DIVERSIDADE

A exposição reúne obras produzidas ao longo dos 35 anos de trabalho como fotógrafo, além de objetos, vídeo e instalações. “Várias delas já estiveram em exposições anteriores, inclusive algumas produzidas para exposições em específico. Foi feito um grande recorte do meu trabalho, desde 1988 até 2015 praticamente, o que considerei um olhar bem panorâmico do meu trabalho”, observa Miguel Chikaoka.

Para Marisa Mokarzel, a exposição não só apresenta seu autor como deixa claro que sua trajetória integra a história da fotografia paraense desde os anos 1980. “Material e simbolicamente ela [exposição] traz o trabalho desenvolvido por um fotógrafo que atua em várias frentes, como artista, educador, propositor e provocador, estimulando o pensamento, o sentir e o fazer de diferentes gerações que hoje integram o universo da arte brasileira”, frisa

Entre as fotografias que estarão na exposição, Chikaoka comenta alguns aspectos que fazem parte da identidade de sua obra. “Os rios, a água, tudo isso é uma temática recorrente no meu trabalho. Os signos, como a rede, e mesmo essa coisa da forma, da textura, do pictórico também são algo presente, que extrapola uma única exposição ou projeto”, afirma. Paralelo à exposição será realizado o lançamento do Catálogo da Coleção Miguel Chikaoka ao público em geral, além de programação educativa que promoverá encontros com o fotógrafo.

EDUCATIVA

Entre as ações educativas – ainda sem data prevista – estão a roda de conversa “Olhar dos Sentidos e os Sentidos do Olhar”, na qual o fotógrafo traçará um panorama de sua trajetória a educadores, estagiários e multiplicadores pontuando discussões e reflexões sobre suas motivações e inspirações; e a oficina “Imagens em Trânsito”, onde compartilhará experimentos e pensamentos acerca das possibilidades criativas do fazer fotográfico. “A educação está inserida no meu trabalho, discuto a imagem do ponto de vista do pensamento, para que cheguemos a um olhar crítico”, afirma Chikaoka.

Sobre a inclusão de suas obras como parte de uma coleção, integrada ao acervo de uma instituição, Chikaoka comenta sua emoção: “Sinto que a minha obra ganha uma longevidade, uma permanência... E vão junto alguns objetos que dialogam com esse universo mais atual do meu trabalho. Não estou só fotografando. Entre os objetos ainda existem alguns que não são de autoria minha, e sim resultado de oficinas, desenhos, mas que trazem também essa relação minha com o público”.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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