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Eventos de grafite celebram os 400 anos de Belém

Ligado diretamente a vários movimentos, principalmente ao hip hop, o grafite nasceu como arte e forma de expressar a realidade das ruas. Por isso, artistas dessa cena estão sendo convidados a se reunir e comemorar o aniversário de Belém em dois eventos qu

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Ligado diretamente a vários movimentos, principalmente ao hip hop, o grafite nasceu como arte e forma de expressar a realidade das ruas. Por isso, artistas dessa cena estão sendo convidados a se reunir e comemorar o aniversário de Belém em dois eventos que celebram a cidade, mas também discutem as ruas, a violência, a educação, tudo o que faz parte dessa metrópole amazônica – e de suas ilhas, para as quais muitas vezes a cidade dá as costas, mas a quem deve muito de seu passado e presente.

O grafiteiro e artista plástico Sebá Tapajós e a Paranauê Head Shop promovem hoje um mutirão de grafitagem com a segunda fase do projeto “Reduto Walls”. Amanhã e domingo, a esticadinha será um passeio pelo lado costeiro de Belém, pelo projeto Street River, que mostrará a arte urbana nas casas ribeirinhas, com barcos fazendo o passeio guiado gratuitamente.

A primeira edição do Reduto Walls aconteceu em novembro de 2014 e rendeu um legado para a cidade: o primeiro grande painel coletivo de grafite de Belém – que permanece vivo na rua Gaspar Vianna. “É um projeto que colabora para a cena de Belém entrar no cenário nacional de grafite, sendo que ela já contava com grandes grafiteiros. Mas acho que o ficou mesmo do último Reduto Walls foi esse feedback das pessoas que participaram e que continuaram trabalhando para que essa cena permaneça como parte da vida cultural da cidade e favoreça o destaque de novos nomes”, afirma Sebá.

O próprio artista afirma que se inspirou muitas vezes em grandes nomes das artes visuais paraenses, como Alexandre Sequeira e Jorge Eiró, para seu aperfeiçoamento e nessa busca por novidades em seus trabalhos. Por isso, nessa nova fase do Reduto Walls, a ideia é revitalizar cerca de 1,4 mil metros quadrados do bairro – encravado na zona portuária da capital paraense – que tem as características preferidas dos grafiteiros – muros compridos e altos – na companhia de nomes que inspirem a nova geração paraense de grafite.

“São todos convidados de outros estados brasileiros, mas com grande repercussão internacional que podem reforçar essa integração da cena paraense com a de outros grandes centros do grafite”, afirma Sebá. Entre eles, Fael Primeiro (BA), Acidum Project (CE), Kajaman (RJ), Mundano (SP), Toys e Omik (DF), que além de colaborar com a criação desde novo mural, também vão bater papo com o público, promovendo um intercâmbio inédito. A concentração dos artistas será na Travessa Piedade, 317, das 16h20 às 21h, em um quarteirão onde cada tijolo será uma tela.

Completa o clima de festa o som da Interferência Sound System (RJ) e Terceiro Mundo Sound System (PA), com pocket show de Fael Primeiro, conhecido como um dos primeiros grafiteiros da Bahia. “Acredito que tanto a música como o grafite virão para movimentar essa reflexão sobre a cidade. A arte une todos nós, seja o grafite, a dança, a música, o teatro”, diz Sebá, que pretende ainda trazer para este diálogo o outro lado da Baía do Guajará e suas comunidades.

STREET RIVER

A “Street River” de Sebá Tapajós surgiu em 2013. Suas marcas são grafites hipercoloridos em barcos e casas das comunidades ribeirinhas da emblemática Ilha do Combu, que diariamente abastece a cidade de delícias. “Tive a influência total dos rios e região das ilhas de Belém. Não bebo mais das águas europeias e americanas há muito tempo, e sim das amazônicas, até pelo meu daltonismo, que me dá um leque de cores diferentes”, declara o artista.

Essa relação que vem se estreitando entre o artista e o cotidiano ribeirinho vai dar o tom da segunda parte da programação pelo aniversário de Belém. Ele irá promover passeios guiados de forma gratuita com saída de hora em hora, das 9h às 17h, durante este fim de semana. Para o artista, será uma excelente oportunidade para que o público olhe melhor para esta parte de Belém e entenda também o quanto o grafite pode trazer reflexão e mudanças na vida das pessoas.

“As cores amazônicas que encontro na Ilha parecem trazer uma alegria para o meu trabalho e isso acaba agradando às pessoas. E quando faço intervenções na cidade, isso é um presente. O grafite é uma arte que não pede permissão, está na rua e você vê. Mas, mesmo quando ele não agrada, ao menos te faz pensar, porque traz reflexões sobre questões públicas”, afirma Sebá. Para garantir uma vaga, basta se inscrever no site do artista. Ele apenas orienta que não será possível sair do barco, apenas apreciar o passeio e a vista.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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