Quatro séculos de história divididos em quatro partes para que se possa lembrar grandes nomes, grandes feitos, lembrar quem é Belém, essa cidade morena, selva de pedra em meio à floresta amazônica. Esta é a proposta da segunda edição do “Mural Cultural”, evento promovido pela RBA com o patrocínio da Vale, que ocorre hoje, às 19h, no Sesc Boulevard, com entrada franca.
Ensaio geral, desta sexta-feira (15). Muita luz na apresentação deste sábado. (Foto: Divulgação)
O pop sarau vai reunir mais uma vez talk show, com entrevista ao vivo de especialistas sobre a memória belenense e performances com música, teatro e dança. O grande tema da noite será “Belém – Quatro Séculos de Belezas, Arte e História”, e os convidados: Helder Bentes e Paulo Maués, dois especialistas em Literatura; e Jaime Cuellar Velarde, historiador e escritor. Todos participam do evento com mediação do coordenador do “Mural Cultural”, o poeta e músico Carlos Correia Santos.
Parte da equipe que se apresentará, hoje, no pop sarau cultural (Foto: Divulgação)
“O sarau divide-se em quatro blocos - uma metáfora aos quatro séculos da cidade -, que serão permeados por uma visão histórica e literária, além dos memomentos em cena das atrizes Dora Amorim e Tábita Veloso”, ele adianta. O primeiro momento será sobre a Belém dos primórdios, fundada pelos portugueses, dos quais vem o registro de toda uma cena cultural e literária do século 17, indo até a Cabanagem.
Cada bloco do talk show será intercalado com um miniespetáculo cênico em que as atrizes citadas por Carlos Correia representam um embate poético entre duas personagens instigantes: “Belém”, uma figura feminina que perdeu suas principais lembranças, que pouco recorda de seu passado; e a “Memória”, ser que surge para fazer Belém relembrar a força de seu passado. Emoldurando tudo, canções especialmente compostas para a montagem e executadas pelo Versivox.
“Belle Époque” ganha menção de destaque O segundo bloco trará a Belém “afrancesada”, da Belle Époque amazônica, resgatando memórias da primeira grande transformação urbana pela qual a capital paraense passou. “Vamos falar de personagens como Antônio Lemos, que, mesmo não sendo um paraense, promoveu grandes obras e renovações para a capital”, comenta Carlos Correia. O encerramento sobre este segundo século de vida será com o declínio do Ciclo da Borracha. |
A retomada no terceiro momento será com a redescoberta da região através do projeto da Transamazônica, na década de 1960, e, claro, a efervescência cultural que existia em Belém naquele período, com a passagem de grandes pensadores, poetas e pesquisadores pela cidade. “É interessante notar que o iniciar e encerrar de cada bloco mostra como Belém alternou entre o destaque e o esquecimento nacional”, observa Carlos Correia Santos.
O último bloco do sarau será a Belém atual, fechando assim também a performance cênica que trava esse embate entre a Belém desmemoriada e a Memória que quer resgatá-la. “O que a gente quer dizer no fim das contas é que a memória é o reflexo da cidade; a gente perde em relevância quando esquece quem a gente é e tudo o que já fez. E de quem é a responsabilidade sobre isso? Esse é o ponto crucial desse nosso encontro”, afirma o mediador.
O gerente de Relações Institucionais da Vale no Pará e no Maranhão, José Fernando Gomes Jr, comenta que este instigar e contribuir para a cena paraense é o que faz do evento um projeto especial. “Para a Vale, é importante contribuir com a difusão da cultura, da arte e da valorização dos artistas locais. Por esta razão nos tornamos parceiros do ‘Mural Cultural’, que, além de fomentar estes princípios, faz uma homenagem a Belém pelos seus 400 anos. Desejamos vida longa ao projeto e que os artistas, das mais variadas vertentes, possam sempre mostrar o seu talento no 'Mural Cultural'”, elogia.
Espetáculo com acessibilidade para todos
Contribuindo também com seu lado dramaturgo, Carlos Correia ainda terá um espetáculo escrito por ele sendo encenado no próximo dia 23, também no Centro Cultural Sesc Boulevard, em homenagem a Belém e com a realização do Grupo RBA. Será a estreia de “Breg Story”, musical que conta a história de amor entre Kelly, uma menina da periferia de Belém que ama a música brega, e Teddy Max, um jovem de família abastada de bairro nobre da capital paraense, estudante de música erudita.
“Eles se conhecem se apaixonam, mas será que as diferenças sociais e culturais permitirão esse amor?”, instiga o autor. O espetáculo faz um passeio sentimental pela geografia e lembranças da Belém dos anos de 1980 e tem como costura clássicos do brega oitentista. Além da equipe musical capitaneada pela RetroBanda, “Breg Story” tem no elenco Maíra Monteiro, Waldiney Velasco, Hanna Katlen e Brendon Mac. O coordenador dos dois eventos destaca ainda que eles são inclusivos.
“Teremos um tradutor em Libras fazendo ao vivo a interpretação do que está sendo dito. Ou seja, abrimos o evento de forma democrática aos espectadores surdos. Além disso, o público cego terá também facilitação de entendimento das ações visuais dos espetáculos. Se houver na plateia espectadores cegos, farei o máximo possível de audiodescrições na condução dos eventos”, assegura.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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