A edição 2016 do Mural Cultural - projeto da RBA com patrocínio da Vale – chega ao seu segundo evento do mês, o espetáculo “Breg Story”. Escrito especialmente para o aniversário da capital paraense pelo dramaturgo Carlos Correia Santos, ele faz uma homenagem à Belém dos anos 1980 e suas inconfundíveis vozes do brega, em única apresentação, hoje, às 19h, no Sesc Boulevard, com entrada franca.
Espetáculo cênico-musical, Breg Story é uma comédia romântica, quase um “Romeu e Julieta”, como nos conta seu autor. “A trama traz a história de amor entre Kelly, uma menina da periferia de Belém que ama a música brega, e Teddy Max, um jovem de família abastada de bairro nobre da capital paraense, estudante de música erudita. Eles se conhecem, se apaixonam, mas existem essas diferenças sociais e culturais entre eles”.
Para contar esta história, estão no elenco Maíra Monteiro, Waldiney Velasco, Hanna Katlen e Brendon Mac.O espetáculo faz ainda um passeio sentimental pela geografia e pelas lembranças da Belém dos anos 1980, usando como costura clássicos do brega oitentista, como “Ao Pôr do Sol”, de Firmo Cardoso e Dino Souza, que ficou marcada na voz do pop star do brega Teddy Max, falecido em 2008, e “Minha Amiga”, imortalizada por Mauro Cotta.
“Isso resgata uma Belém mais romântica, que precede esse avanço tecnológico. Hoje se fala muito do tecnobrega, melody. A intenção é dizer: ‘Tudo começou aqui’”, diz Carlos Correia.E, claro, todo esse abraço musical acaba homenageando também o gênero hoje tão celebrado como marca cultural do Pará, de Belém, e seus grandes nomes. “Na peça, não há um personagem que faça tal cantor ou cantora, mas eles também são homenageados no nome dos personagens, como o Teddy Max, nosso protagonista, também há o Alípio, uma homenagem a Alípio Martins, assim como a Francis Dalva, que também dá nome a uma personagem”, explica o dramaturgo.
E quem põe todos esses bregas para que personagens e o público possam dançar é a RetroBanda, projeto de Carlos Correia e outros músicos, como Alejandro Segóvia, que voltam a tocar estes clássicos da música do Pará.Ficam reservados ao olhar atento do público outras referências aos anos 1980, como a barba colorida de Carlos Correia. “É uma referência ao Kid Vinil, um ícone desse período, o primeiro a usar barba colorida”, comenta.
Espetáculo para todos os públicos
Como coordenador artístico do Mural Cultural, Carlos Correia destaca que a edição 2016 do projeto traz um grande avanço: assim como a programação que houve no último sábado, dia 16, o espetáculo de hoje também será inclusivo.“Os dois espetáculos têm o que chamamos de acessibilidade em Libras. Neste sábado, teremos um tradutor em Libras fazendo ao vivo a interpretação do que está sendo dito. Ou seja, abrimos o evento de forma democrática aos espectadores surdos. Além disso, o público cego terá também facilitação de entendimento das ações visuais dos espetáculos. Se houver na plateia espectadores cegos, farei o máximo possível de audiodescrições na condução dos eventos”, afirma.Carlos considera também o momento especial para os artistas paraenses: “O Mural se consolida como um momento ímpar para o artista da terra. Nesses dois eventos de janeiro, temos mais de quinze artistas paraenses da música, do teatro, da dança e da literatura subsidiados para subir aos palcos e mostrar que temos qualidade técnica que não deixa a dever a nenhum outro centro cultural do país. O Mural é um presente, nesse aniversário de Belém, para o público e para os artistas locais. Mais ainda, nos orgulha fazer de ‘Breg Story’ um programa para toda a família, para crianças de 8 a 80 anos. Quem viveu a Belém dos anos 1980 vai recordar, e quem não viveu vai ter a oportunidade de conhecer e também se apaixonar pelo seu romantismo e seu ritmo mais marcante”, aposta.
Estréia teve música, papo e encenação
A primeira parte do Mural Cultural 2016 ocorreu no último sábado, dia 16, também no Sesc Boulevard, mais um parceiro da programação. O evento foi norteado por um envolvente bate-papo com três convidados especiais: os especialistas em literatura sob um prisma histórico, Helder Bentes e Paulo Maués, e o historiador e escritor Jaime Cuellar Velarde.
A conversa teve como tema principal “Belém – Quatro Séculos de Belezas, Arte e História”.Em quatro blocos, os convidados reviveram momentos importantes da história de Belém, defenderam a importância de seu papel para o País e a construção de toda uma cena cultural, encabeçada por grandes escritores, poetas, dramaturgos e outros artistas e intelectuais.
Entre um papo e outro, as atrizes Maíra Monteiro e Tábita Veloso representaram um embate poético entre duas personagens instigantes: Belém e a Memória, esta última um ser que surge para fazer Belém relembrar a força de seu passado.Emoldurando tudo, canções especialmente compostas para a montagem foram tocadas pelo Versivox, banda autoral formada por Marcos Saraiva (baixo), Luciano Câmara (percussão), Alejandro Segóvia (violão e guitarra), Salomão Silva (violoncelo), Irlana Santos (viola), Samarone Ávila (segundo violino) e o próprio Carlos Correia, no primeiro violino. O diretor geral do Grupo RBA, Camilo Centeno, acompanhou a primeira noite do projeto e mostrou-se feliz com o resultado. “Mais uma vez, a RBA, em parceria com a Vale, está devolvendo a Belém um presente”, exaltou.
(Lais Azevedo)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar