O “Mural Cultural”, criado em 2015, já passou por Belém e Marabá, porém nenhuma de suas edições teve os ingressos esgotados tão rapidamente quanto a do último sábado, 23, com o espetáculo “Breg Story”. Em 20 minutos já não havia mais lugares e muita gente precisou voltar da porta antes mesmo do início da apresentação. Por isso, atendendo a pedidos, ele volta em cartaz neste sábado (30), no Sesc Boulevard, em única sessão, às 19h, com entrada franca. A retirada dos ingressos será a partir das 18h e a recomendação é de que os espectadores cheguem cedo para garantir o acesso.
“Breg Story”, espetáculo cênico-musical com dramaturgia de Carlos Correia Santos e direção geral de Maíra Monteiro, foi montado especialmente para o “Mural Cultural” 2016 como uma homenagem aos 400 anos de Belém e caiu no gosto do público.
“A gente ficou imensamente feliz e surpresa com o ‘boom’ da nossa última apresentação. Justamente por ter criado expectativa em tantas pessoas que não puderam assistir ao espetáculo, nós nos sentimos na obrigação de voltar com um ‘Breg Story’ mais divertido, mais emocionante e cheio de energia para agradar ao público, que é o objetivo desse presente oferecido pela RBA, com o patrocínio da Vale. Com essa garra pretendemos fazer uma apresentação melhor ainda”,
afirma o dramaturgo.
Como uma leve comédia romântica, “Breg Story” conta a história de amor entre Kelly (Raíssa Gama), uma menina da periferia de Belém que ama a música brega, e Teddy Max (Brendon Mac), um jovem de família abastada de bairro nobre da capital paraense, estudante de música erudita. “É quase um Romeu e Julieta”, brinca Carlos Correia. O espetáculo faz um passeio sentimental por lugares e referências - musicais e culturais – da Belém da década de 1980. Além do casal de protagonistas, estão no elenco Maíra Monteiro, Waldiney Velasco e o próprio Carlos Correia.
(Divulgação)
BREGAS CLÁSSICOS
Costurando o enredo e fazendo de “Breg Story” um grande musical, do início ao fim são apresentados ao vivo no palco do Sesc Boulevard vários clássicos do brega oitentista. O braço musical tem a estratégia de mostrar os primórdios de um gênero hoje tão celebrado como marca cultural nacional do Pará e principalmente de Belém. A própria heroína da trama tem uma música que inspira seu nome, o hit de Juca Medalha, “Kelly”. Já o seu par romântico teve o nome inspirado no cantor Teddy Max, voz que imortalizou “Ao Pôr do Sol”, composição de Firmo Cardoso e Dino Souza.
“Assim como eles, outros personagens tiveram os nomes escolhidos como mais uma homenagem a esses personagens da história do brega paraense, como Alípio Martins e Francis Dalva”, conta o dramaturgo Carlos Correia. E, para executar as composições, Carlos ainda traz para o palco mais um de seus projetos, a RetroBanda, montada por ele para fazer cover de clássicos românticos dos anos 1950 a 1990. A banda é formada por Davi Benitez (teclado), Alejandro Segóvia (violão), Felipe Lourinho (percussão), Edwin Gomes (guitarra) e Príamo Brandão (baixo).
“São pessoas de grande talento e que a gente se orgulha de apoiar e apresentar à cidade. O brega em si é um ritmo que mexe com o paraense. E a gente sai do espetáculo carregado de alegria”, comenta o gerente de Relações Institucionais da Vale, José Fernando Gomes, que prestigiou junto ao público a primeira apresentação do espetáculo.
ACESSIBILIDADE
Com o apoio do intérprete em Libras Anderson Alfonso, a edição 2016 do "Mural Cultural" ainda conseguiu realizar um importante avanço: oferecer ao público uma programação totalmente inclusiva. “Assim nós abrimos o evento de forma democrática aos espectadores surdos. Além disso, o público cego terá também o entendimento das ações visuais do espetáculo facilitado. Se houver na plateia espectadores cegos, farei o máximo possível de audiodescrições na condução dos eventos”, garante Carlos Correia.
As duas edições do "Mural Cultural" também foram celebradas por Carlos Correia como um momento muito especial para o artista paraense. “O 'Mural' se consolida como um momento ímpar para o artista da terra. Nesses dois eventos de janeiro (o talkshow que houve no dia 16 e a primeira apresentação de 'Breg Story', dia 23), tivemos mais de 15 artistas paraenses da música, do teatro, da dança e da literatura subsidiados para subir aos palcos e mostrar que temos qualidade técnica que não deixa a dever a nenhum outro centro cultural do país. O 'Mural' é um presente, nesse aniversário de Belém, para o público e para os artistas locais”, comemora.
(Lais Azevedo / Diário do Pará)
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