A gastronomia está em alta, no mundo e também na capital paraense, que parece ir ganhando degrau a degrau um status internacional como uma cidade de cozinha criativa e de ingredientes únicos. E, em um cenário tão favorável, alguns nomes de destaque nacional têm passado pela cidade, dando a oportunidade de saber o que pensam sobre a cozinha paraense, assim como de fazer trocas sobre diferentes modos de ver a alimentação. É o caso da chef Bela Gil, apresentadora do programa “Bela Cozinha”, no canal GNT, e do Canal da Bela, no YouTube, ambos sucesso e assuntos em diversas redes sociais, que esteve em Belém esta semana para lançar seu novo livro.
Filha de um ícone da música brasileira, o baiano Gilberto Gil, a chef acabou ganhando sua própria notoriedade enquanto celebridade das redes e da TV. O motivo: sua cozinha naturalista. Sendo a questão da alimentação um tema global, na opinião de Bela o principal desafio no Brasil é fazer com que as pessoas voltem a comer “comida de verdade” e é isso que move sua atuação enquanto nutricionista e chef de cozinha.
“Eu pergunto para muita gente e muita gente vem me falar: ‘Tô querendo emagrecer e não consigo’. E eu pergunto o que a pessoa come e ela responde: ‘Não, eu não como muito, quando eu chego em casa como uma torrada com requeijão ou um queijo branco, uma barrinha de cereal, é sempre algo de pacotinho, algo para enganar a fome ali. Eu acredito que a gente só vai ser saudável comendo comida de verdade. Então, o vilão daqui é ainda esse alto consumo de comidas ultraprocessadas. A gente está deixando de comer o arroz e feijão ou a farinha e o açaí para comer as coisas de pacotinho”, diz ela.
E nessas escolhas, a chef destaca também a importância de valorizar os ingredientes da própria cidade. Ela explica que essa escolha deve ser feita, em primeiro lugar, por uma questão de cultura. “A gente tem que estar ligado à nossa raiz”. E em segundo lugar porque é muito mais saudável “para a vida da gente, para o nosso corpo, para o meio ambiente e para os produtores locais também. A gente não pode esquecer quem produz o açaí e a mandioca”.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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