Estando sozinha após suas experiências com as bandas La Orchestra Invisivel e A Volta do Astronauta, a cantora paraense Lari Xavierdecidiu sair em busca de alguém – ou melhor, em busca de se aventurar por novos ritmos, batidas, ferramentas e instrumentos musicais. Foi então que, uma parte desse trajeto, resultou em seu primeiro trabalho solo, o EP “Alguém”, um encontro consigo mesma, suas composições e novas misturas musicais. O lançamento será totalmente virtual, hoje, 20, a partir das 18h, através de seu perfil no Facebook e do site SoundCloud.
“Geralmente é o que tem sido feito hoje em dia (lançar virtualmente) e como eu queria lançar logo, pensei que seria um bom caminho”, comenta Lari. Musicista nascida e criada em Belém, com a “Orchestra”, ela já havia lançado dois EPs, sendo o último “Tratado do Vazio Perfeito”, em 2012. Neste mesmo ano, passou a integrar o grupo “A Volta do Astronauta”, lançando com eles o terceiro EP da sua carreira, em 2014, levando o nome da banda.
Em ambos os projetos, Lari atuou como cantora, compositora e instrumentista, dedicada ao violão, guitarra, teclado e o ukelelê, instrumento havaiano que ainda a acompanha em sua nova etapa. “Eu sempre compus minhas músicas, e quando as gravações com ela (A Volta do Astronauta) acabou, fiquei sem atividade musical, então decidi me dedicar a lançar algo meu. Levei certo tempo”, comenta sobre o trabalho iniciado em 2015.
Lari conta que não se fechou em torno de um tema, sua principal decisão foi justamente “se abrir a ritmos variados e experimentar o encontro do rock” – até então o ritmo com o qual trabalhava – “com outros instrumentos e ritmos”. O EP (sigla de extended play), algo como um CD com menos músicas, trará quatro faixas, sendo uma delas “Alecrins”, que já está disponível no SoundCloud, e “Música Minúscula Para Ninar Adultos”, que teve pré-lançamento através da Rádio Cultura.
“Alguém”, canção que dá título ao álbum, não foge ao que Lari já vinha apresentando de suas composições através da La Orchestra Invisivel. “Ela é um pop rock com influencias retrô, de bandas dos anos 1960, e uma levada meio blues rock garagem”, comenta. Em “Música Minúscula Para Ninar Adultos” (que já chama atenção pelo nome enorme e “adocicado”), a compositora segue para uma balada romântica acompanhada por seu ukelelê. “No todo, ela acabou ficando uma balada bem melódica, com influencias de Beatles e Beach Boys”, diz ela.
Com “Alecrins” a compositora se dedica ao estilo folk combinado com arranjos de sintetizador e uma percussão árabe, fruto das pesquisas que vinha realizando durante a pré-produção do EP. “Eu realmente queria sair só do rock e pela internet fui me ligando, buscando ritmos, sons diferentes, queria experimentar o ritmo de lugares diferentes. Achei que essa batida percussiva (árabe) casava com a composição que eu já tinha feito de ‘Alecrins’ ao violão”, explica.
A última faixa, “Deixo a Órbita”, traz uma mistura de música eletrônica com ritmo dançante, além de guitarras estridentes que remetem a algumas bandas de rock alternativo dos anos 1990, acompanhadas de vocais melódicos. “Nela utilizei recursos tecnológicos, como uma bateria programada, totalmente eletrônica”, conta Lari, que contou ainda com uma força de vários amigos da cena musical. “Tive o apoio deles em vários instrumentos”, comenta.

Larissa nos tempos da La Orchestra Invisível. (Foto: divulgação)
Entre as parcerias de gravação estão os “Estereocope” Ricardo Maradei (teclado e baixo) e Jack Nilson (guitarra); o amigo de Lari no La Orchestra Invisivel, Marcelo Kahwage (guitarra e sintetizadores); Daniel Pinheiro (bateria) e André “Moska” (backing vocal). Para dar mais beleza ao EP, que pode ser virtual, mas não deixa de ser visual, a cantora ainda posou para as lentes da fotógrafa Evna Moura e tornou-se a capa virtual de seu primeiro trabalho solo.
Larissa não nega que gostaria de ver o EP se transformar em um disco físico e até mesmo um álbum completo. “Eu vou continuar gravando para lançar um álbum. Mas claro que se surgisse uma oportunidade de gravar logo um EP físico de ‘Alguém’ seria ótimo”, diz ela. Feito a partir de algumas composições que Lari havia guardado e que resolveu trabalhar, “no geral”, diz ela, as músicas escolhidas seriam mais como “reflexões sobre autoconhecimento”. Uma boa forma de se apresentar pela primeira vez ao público em um trabalho solo.
Para ouvir:
Sábado, 20, às 18h
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