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Música transforma jovens do Marajó

Tendo a própria vida transformada através da música, o marajoara Fábio Freitas, 39 anos, hoje acompanha o poder que o aprendizado das partituras desempenha no destino dos cerca de 400 jovens atendidos pela Associação de Música de Santa Cruz do Arari (Amus

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Tendo a própria vida transformada através da música, o marajoara Fábio Freitas, 39 anos, hoje acompanha o poder que o aprendizado das partituras desempenha no destino dos cerca de 400 jovens atendidos pela Associação de Música de Santa Cruz do Arari (Amusca). Vencendo os desafios impostos pela dificuldade de acesso ao município, que é o menor dos que compõem a Ilha do Marajó, crianças e adolescentes de 7 a 18 anos têm, nos instrumentos, o principal meio de trilhar o próprio caminho.

Fábio é coordenador do projeto que hoje já se transformou em associação e conta que a escola de música foi uma iniciativa da professora Glória Caputo – que hoje coordena o Programa Vale Música no Pará. Desde que foi criado, em 18 de setembro de 2010, mais de três mil alunos já passaram pelo projeto. Ainda que proporcionados pelas partituras e instrumentos, os ensinamentos acumulados ao longo desses anos nos três polos em que são realizadas as aulas – na sede de Santa Cruz do Arari, na Vila do Jenipapo e na Vila de Joviniano Pantoja – vão além da música. “Temos uma carência grande no ensino médio, então usamos a música como atrativo para fazer esse acompanhamento escolar”, aponta o músico.

Natural do município de Ponta de Pedras, também no Marajó, o coordenador do projeto se vê nas histórias de muitos dos meninos e meninas que já frequentaram as aulas. Ainda que nem todos se tornem músicos, o objetivo é garantir que cada um tenha condições de traçar o seu próprio futuro para além da conclusão do ensino médio. “Eu não tinha perspectiva nenhuma de ser músico, professor e hoje eu vivo disso”, lembra Fábio. “O que a gente tenta passar para eles é a possibilidade de continuarem os estudos em Belém, se formarem e usarem seus conhecimentos para transformar o município onde nasceram”.

Como consequência do trabalho desenvolvido pelos professores e os oito monitores bolsistas, Fábio Freitas se orgulha de contar que 12 alunos da escola de música de Santa Cruz do Arari já tiveram a oportunidade de dar continuidade aos estudos em Belém, no próprio Programa Vale Música e que outras duas alunas são, hoje, universitárias do curso de música da Universidade do Estado do Pará (Uepa). “A nossa principal preocupação é com a educação. Usando a música como instrumento, a gente tenta fazer com que eles ganhem uma perspectiva de futuro que vá além da própria música”.

(Cintia Magno/Diário do pará)

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