plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 28°
cotação atual R$


home

_
_

Exposição mostra Belém ao natural

As belezas naturais da Amazônia que cabem dentro do grande universo urbano que é Belém são o foco das lentes do marajoara Hely Pamplona, em exposição na Praça Central do Shopping Pátio Belém até o dia 28 deste mês. A coleção intitulada “Belém 400 anos” é

twitter Google News

As belezas naturais da Amazônia que cabem dentro do grande universo urbano que é Belém são o foco das lentes do marajoara Hely Pamplona, em exposição na Praça Central do Shopping Pátio Belém até o dia 28 deste mês. A coleção intitulada “Belém 400 anos” é composta por 24 fotografias que também ajudam a contar um pouco da carreira do fotógrafo marcada sempre por esse olhar diferenciado sobre a cidade.

(Foto:Hely Pamplona)

As imagens, capturadas nos últimos oito anos de trabalho do artista, privilegiam espécies de animais silvestres da região amazônica como as garças e periquitos que sobrevoam a paisagem do Mercado do Ver-o-Peso e a Praça Batista Campos. “Deixei a critério do shopping as escolhas destas 24 imagens, que vieram de séries que fiz, algumas só com garças, outras de composição com a chuva da cidade”, diz Hely.

Especialista em fotografias que envolvem fauna e flora, ele explica que seu trabalho exige equipamento especializado, “lentes macro e boas teleobjetivas (para as longas distâncias)”, mas que muitas vezes, as melhores fotos foram um verdadeiro “presente de Deus”. Um exemplo é a foto “As Graças” em exposição e que já gerou polêmica entre os visitantes. O surpreendente registro, duas garças em pleno voo, uma de frente para a outra, tem gerado incredulidade entre o público.

“As pessoas acham que é montado, o que é absurdo, eu tenho um nome a preservar, uma carreira, jamais faria isso”, defende-se Hely, contando como tudo realmente aconteceu. “As garças são aves 'territorialistas', como o beija-flor, e elas saíram brigando. Eu estava com uma câmera na mão, mas não tinha tempo para olhar pelo visor, assim que vi elas levantarem uma em direção à outra, também levantei a câmera e bati”. Com um peixeiro do Ver-o-Peso por testemunha, Hely olhou o registro que havia feito.

"Mostrei para ele e falei: camarada, vou embora pra casa que Deus me deu ‘A’ foto”, conta Hely, aos risos. Naquele mês, o fotógrafo havia sido assaltado no mesmo lugar onde tirou a foto, tendo perdido todo seu equipamento, uma coincidência que não lhe escapou. “A gente tem que acreditar no que faz, que Deus abençoa”, diz ele, confirmando ainda que, mesmo diante dos inúmeros assaltos sofridos no local, o Ver-o-Peso sempre será seu lugar favorito para fotografar.

A feira a céu aberto, com diversas fotografias entre a coleção em exposição, recebe visitas quase diárias de Hely. Nascido em Cachoeira do Arari, na Iha do Marajó, ele diz que tudo ali o remete a sua infância e mesmo com as mudanças ao longo do tempo, nunca deixa de encantá-lo. “Eu vinha em um barco com a minha família chamado ‘Anjo da Guarda’, tinha uns 10 a 12 anos. Ali chega tudo, as frutas, o peixe, vou às 'erveiras', compro Amor Crescido, Casca de Janaúba... E conheço quase todos os barqueiros”, conta.

Observação e paciência são a chave

E apesar de andar com câmeras digitais, como a que registrou a disputa entre garças, Hely se diz um fotógrafo resistente ao universo digital, ainda mantendo cinco ou seis câmeras analógicas e “uma guerreirona”, com a qual sempre está em suas andanças pela cidade e pela floresta. “A película (filme fotográfico) é mais fiel à imagem, principalmente com um pôr-do-sol. Com o digital não é o mesmo, mas tenho porque a vantagem da (câmera) digital é a rapidez com que você fotografa, baixa, manda. Hoje as pessoas querem tudo mais rápido”, lamenta o fotógrafo.

Com décadas de experiência na fotografia, ele não reclama muito do equipamento que já tem, conta que venceu desafios no inicio da carreira que lhe dão a segurança para fazer fotografias como as que estão exposição, seja no analógico, na digital ou montando abrigo entre folhas na floresta. “Foi aos 18 anos que comecei a fotografar valendo, com uma câmera compacta e sem zoom, mas com a qual eu fazia maravilhas. Depois consegui uma pentax com lente 50, própria para retratos e não para fotografias a distância, como exige fotografar animais”.

Diante da enrascada, Hely começou a observar os hábitos dos animais, se diurnos, noturnos, onde se alimentavam, onde bebiam água. “Assim eu fazia tocaia (montava uma camuflagem com folhas), geralmente perto do bebedouro deles, e esperava para fazer as fotos. Quando os fotógrafos viam diziam: ‘mas tu tem uma tele (lente para longa distância) muito boa!’. Pensavam que eu tinha um zoom maravilhoso, quando eu mostrava a câmera não acreditam que eu tinha feito com ela”, conta ele, aos risos.

E muitas das fotografias de Hely fazem pensar como conseguiu registros realmente próximos dessa natureza, ainda que em ambiente urbano. Para a exposição no shopping, as fotografias vêm acompanhadas de uma parceria especial entre Hely e o artesão Lourival Ribeiro que, com o auxilio dos irmãos, montou estruturas feitas com pallets (reaproveitamento de madeira) com modelos idealizados pela ONG NOOLHAR. Além disso, placas de caixa longa vida recicladas compõem as molduras das fotos.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!